31 de março de 2007

59. Senhor Feijão

O inepto Senhor Feijão faz os maiores disparates como espião dos serviços secretos de Sua Majestade Britânica. O ambicioso Senhor Feijão tenta mostrar que não é inepto colocando a culpa dos seus sucessivos fracassos no seu colega de trabalho, o Senhor Bough. O trapalhão Senhor Feijão gosta que pensem que é o sofisticado e sedutor Senhor Feijão. Mas é apenas o trapalhão e inepto Senhor Feijão. Os sucessos do Senhor Feijão são provocados por acasos ou pela actividade de outros. Mas o Senhor Feijão fica contente por ser ele a ficar com o mérito dos sucessos provocados por acasos ou pela actividade de outros.

Gostei do Johnny English porque, apesar de o classificar como um mau filme, tem esta figurinha ingénua, que vive num mundo que não existe. Gostei porque o mundo está cheio de Senhores Feijões que vivem impunemente as suas vidas com base em ficções, para não dizer que vivem as suas vidas com base em mentiras. A diferença para o mundo real é que muitos desses Feijões reais não são ingénuos nem vivem as suas ficções de forma inocente. Em vez disso planeiam essas ficções de forma meticulosa e maldosa, parasitando premeditadamente o trabalho e o esforço dos outros com o objectivo de se promoverem e de «subirem» na vida. Conseguem sobreviver aos seus fracassos fazendo com que a culpa desses fracassos pareça sempre alheia à sua vontade e ao seu contínuo esforço de fazer sempre o melhor. Utilizam os mecanismos mais complicados para atingirem os seus objectivos: adulam, mentem, insinuam, ignoram, sobrepõem-se, aparecem em todo o lado, desaparecem misteriosamente, sugam, sobrevivem. Infelizmente os Senhores Feijões da vida real não são assim tão simpáticos, divertidos e inofensivos como as personagens de Rowan Atkinson.

30 de março de 2007

58. Refeições a bordo

Na TAP:

«Bolos de Aniversário / Lua de Mel e Champanhe sempre que solicitado até 72 horas da partida e desde que disponível pelos serviços de catering. Mediante o pagamento do serviço, será servido bolo de aniversário e champanhe.

Excepção: Este serviço não está disponível nos voos domésticos em Portugal Continental.»

28 de março de 2007

56. Euro milhões

Portugal vai receber 21 511 milhões de euros da União Europeia, entre 2007 e 2013. Em compensação, entre 2014 e 2020, Portugal terá de reduzir a taxa de cuspidelas no chão para 2,3 por 100 mil habitantes.

27 de março de 2007

55. Lisboa

Praça de Alvalade, 29 de Outubro de 2006.

26 de março de 2007

54. Conto Angolense - O Leão e o Fogo

Havia dois amigos: um chamado senhor Leão e outro senhor Fogo. O senhor Leão andava sempre a visitar o senhor Fogo. Um dia o senhor Leão disse ao seu amigo, senhor Fogo: - «Sou eu o unico que te visito constantemente, e tu tambem não vaes visitar-me ?!» O senhor Fogo replicou-lhe: - «O meu visitar não é bom». O seu amigo, senhor Leão, tornou-lhe: - «Pouco importa! Vae para a nossa casa visitar-me tambem». O Fogo retrucou-lhe: - «Está bem! A'manhã quando começar a soprar o vento, ahi vou.»
Quando foi fazer a visita, viram o Fogo vir a queimar as casas e as florestas; elles (o Leão e outros) não puderam fugir, para se esconderem, queimaram-se tambem no fogo, e pereceram! E' por isso que se costuma dizer: «O fogo não é boa pessoa!»

J.D. Cordeiro da Matta (Barra do Kuanza)

in Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1895

25 de março de 2007

53. Confuso

Hoje iniciou-se o horário de Verão. A hora legal portuguesa passou a ser a do meridiano de Greenwich adiantada de uma hora. Isto é, 1 hora e 36 minutos adiantada da hora solar em Lisboa. O legislador espera, com esta medida, que os trabalhadores passem a acordar às 5:23 da manhã, a almoçar às 10:23, a jantar às 6:23 da tarde e a adormecer às 9:23 da noite.
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, a hora de Verão foi aplicada em Portugal pela primeira vez no Verão de 1916. Até 1911, vigorava, no Continente, a hora do meridiano de Lisboa (meridiano de Greenwich menos 36 minutos). A partir desse ano, o fuso horário do Continente passou a ser a do meridiano de Greenwich, excepto entre 1967 e 1975 e 1993 e 1996, quando passou a ser a hora central europeia. Nos Verões de 1916 a 1921, 1924, 1926 a 1929, 1931 e 1932, e desde 1934, passou a vigorar o horário de Verão - mais uma hora face à hora de Inverno. Nos Verões de 1942 a 1945 a diferença entre o horário de Verão e de Inverno foi mesmo de 2 horas.
O horário de Verão foi inventado por William Willett em 1905 num dos seus passeios matinais a cavalo. Felizmente, a sua invenção só foi posta em prática em 1916. Desde então, as populações das zonas temperadas do globo são manipuladas anualmente com a justificação da poupança de energia. Esta explicação nunca me convenceu por completo. Não entendo porque durante uma parte do ano tenho de acordar de noite e adormecer de dia. Não entendo porque se consome menos electricidade, sendo as horas diurnas e nocturnas exactamente as mesmas.
Numa fase da minha vida tentei implementar o horário natural, correspondente ao fuso horário de Lisboa. Mesmo no Verão. No entanto, chegar ao trabalho às 10:30 (hora legal) nunca foi muito bem compreendido. Tentei combinar almoços às 2 da tarde, mas acabei sempre sozinho a comer restos no refeitório. Acabei por me render à vida proletária e a ser mais uma cobaia nesta gigantesca manipulação, durante os 7 meses do ano em que vigora a invenção do Sr. Willett.
Mas prometo que quando me libertar da prisão laboral volto ao fuso horário de Lisboa. O que me lembra que ainda não vi os resultados do euromilhões.

24 de março de 2007

52. Robbie Williams

No dia 7 de Março, Robbie Williams saiu da clínica de reabilitação onde esteve a tratar a sua dependência de medicamentos anti-depressivos. Outras estrelas pop estiveram ou estão com variados vícios: Elton John (álcool), Jim Morrison (todas as drogas e bebidas), James Taylor (heroína), Little Richard (cocaína), Serge Gainsbourg (álcool), Miles Davis (heroína), Carlos Santana (alucinogénios em geral), Billie Holiday (álcool e drogas), Janis Joplin (heroína), etc.
Quando aparecerão artistas viciados em poesia iraniana, espeleologia ou jardinagem? Enfim, em coisas bonitas.

23 de março de 2007

51. Escalpe

Nome: Phil Spector.
Naturalidade: Bronx, Nova Iorque.
Nacionalidade: Norte-americana.
Data de nascimento: 26/12/1940.
Profissão: Produtor discográfico.
Penteado: Afro-grisalho, semi-encaracolado, esférico-volumoso.
Justiça: Aguarda julgamento por homicídio.

22 de março de 2007

50. Público

Desde que mudou de imagem o «Público» tem cada vez mais frases enigmáticas: «Na Europa, só 13 por cento dos imigrantes oriundos do Mediterrâneo, do Médio Oriente e do Norte de África que se instalam têm cursos universitários. Na América do Norte, o número sobe para metade.»

20 de março de 2007

48. Eurico da Fonseca

«Considerando que Eurico Sidónio Gouveia Xavier Lopes da Fonseca nasceu a 1 de Março de 1921 e faleceu a 4 de Dezembro de 2000, em Lisboa;
Considerando que foi especialista em astronáutica e fundador do Centro de Estudos Astronáuticos, em 1958;
Considerando que foi delegado oficial de Portugal aos congressos da Federação Internacional de Astronáutica, onde apresentou diversas comunicações: “The Dynamical Limitation of the Freedom of the Space, em Londres, 1959; “The Utilization of Artificial Planetoids in Interplanetary Flight, em Estocolmo, 1960; “The Boomerang Project” Washington, 1961;
Considerando que o “Projecto Boomerang” foi adoptado pela NASA sob a designação de HORS (Heliocentric Orbital Rendez-vous System);
Considerando que entre 1961 e 1984 foi investigador do Centro de Estudos Especiais da Armada, com a incumbência de estudar o desenho e a produção de foguetes;
Considerando que a partir de 1978 iniciou uma fase de pesquisa mais restrita sobre o aproveitamento de fontes renováveis de energia tendo sido fundador e primeiro vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar e membro do Conselho Científico da conferência de Miami sobre as Fontes Renováveis de Energia;
Considerando que colaborou assiduamente em jornais, revistas, rádio e televisão, tendo sido responsável pelo programa “5ª Dimensão” na RTP;
Considerando que publicou diversas obras como: “História Breve da Astronáutica”, “A Conquista do Espaço”, “A Sociedade do Futuro – Tecnologia para Um Mundo Novo”, “Energias Renováveis” e “Segredos do Windows 95”;
Considerando que em 1985 foi galardoado com o Prémio Einstein de divulgação científica;
Considerando que a Comissão Municipal de Toponímia, em sua reunião de 2004.07.07, emitiu parecer favorável à consagração do nome de Eurico da Fonseca na Toponímia de Lisboa, designando, para o efeito o Impasse A + Impasse B à Rua do Chibuto; Considerando, finalmente, que a Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais, consultada ao abrigo do disposto no art. 1º da Postura Municipal sobre Toponímia e Numeração de Polícia, manifestou a sua total concordância:
Tenho a honra de propor que a Câmara delibere:
Atribuir ao Impasse A + Impasse B à Rua do Chibuto, de acordo com o disposto na alínea v) do n.º 1 do art.º 64 do Decreto-Lei 169/99, de 28 de Setembro de 1999, o seguinte topónimo:

RUA EURICO DA FONSECA
DIVULGADOR CIENTÍFICO
1921-2000

Paços do Concelho de Lisboa, em 2 de Novembro de 2004
A Vereadora
Ana Sofia Bettencourt»

Proposta n.º 858/2004, à Câmara Municipal de Lisboa.
Não apurei se foi aprovada.

19 de março de 2007

47. Aquário

Pode parecer uma obsessão, mas não é. Descobri que o chão da marisqueira chinesa do meu bairro é, na verdade, um gigantesco aquário. Aquilo que era até agora apenas um leve interesse numa marisqueira chinesa, tornou-se quase um objectivo de vida: um dia tenho de jantar em cima de um aquário.

18 de março de 2007

46. Estações

Esta semana começa a Primavera. É o tempo dos passarinhos, das borboletas e das flores. E vai prolongar-se, como é costume, até ao Verão. É um tempo bonito.
Perspectiva amarga: as pessoas já andam desvairadas. Um raio de sol e a temperatura nos 20 graus e começa a haver o trânsito infernal para as praias. Os óculos escuros boçais reaparecem. É quase uma obrigação, o desfrutar da estiagem. A excitação que o calor provoca no povo leva aos comportamentos mais estranhos, como os passeios no campo.
Com a Primavera recomeça também o mini-PREC (Processo Revolucionário Em Curso) anual. O mês de Abril é um crescendo de revivalismo que culmina nas manifestações do Primeiro de Maio. As coisas acalmam com as marchas forçadas para Fátima até ao dia 13 e com uma ou outra comemoração reaccionária no 28 de Maio. Mas a excitação revolucionária volta a aquecer com a Feira do Livro, talvez equilibrada com as noivas de Santo António.
Em Julho, finalmente, a multidão desaparece até à reentrada de Setembro. O Outono é sempre uma temporada mais honesta, de reorganização, de recomeço, de algum trabalho. E depois o reconfortante Inverno. E a inquieta Primavera outra vez.
Enfim. O importante é haver saúde.

17 de março de 2007

45. Facas

Se eu não fosse um mau fisionomista poderia jurar que hoje estive sentado no metro ao lado deste homem. Na linha verde, claro.

16 de março de 2007

44. Camões

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, em mim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.»

Luís de Camões

E só fiz um número no euromilhões.

15 de março de 2007

14 de março de 2007

42. Nova Iorque

«There are roughly three New Yorks. There is, first, the New York of the man or woman who was born here, who takes the city for granted and accepts its size and its turbulence as natural and inevitable. Second, there is the New York of the commuter - the city that is devoured by locusts each day and spat out each night. Third, there is the New York of the person who was born somewhere else and came to New York in quest of something. Of these three trembling cities the greatest is the last - the city of final destination, the city that is a goal. It is this third city that accounts for New York's high-strung disposition, its poetical deportment, its dedication to the arts, and its incomparable achievements. Commuters give the city its tidal restlessness; natives give it solidity and continuity; but the settlers give it passion. And whether it is a farmer arriving from Italy to set up a small grocery store in a slum, or a young girl arriving from a small town in Mississippi to escape the indignity of being observed by their neighbors, or a boy arriving from the Corn Belt with a manuscript in his suitcase and a pain in his heart, it makes no difference: each embraces New York with the intense excitement of first love, each absorbs New York with the fresh eyes of an adventurer, each generates heat and light to dwarf the Consolidated Edison Company.»

E.B. White in «Here is New York» (1949).

12 de março de 2007

40. Sócrates

Hoje cumprem-se dois anos do Governo chefiado por José Sócrates, actualmente em vigésimo lugar na lista dos Presidentes do Conselho de Ministros (1834-1974) e Primeiros-Ministros (desde 1974) com maior número de dias no cargo:

1. António de Oliveira Salazar (1932-1968; União Nacional) - 13 231 dias;
2. Fontes Pereira de Melo (1871-1877, 1878-1879, 1881-1886; Partido Regenerador) - 4 044 dias;
3. Aníbal Cavaco Silva (1985-1995; Partido Social Democrata) - 3 645 dias;
4. Luciano de Castro (1886-1890, 1897-1900, 1904-1906; Partido Progressista) - 3 210 dias;
5. Duque de Saldanha (1835, 1846-1849, 1851-1856, 1870; Partido Regenerador) - 3 127 dias;
6. Hintze Ribeiro (1893-1897, 1900-1904, 1906; Partido Regenerador) - 3 052 dias;
7. Duque de Loulé (1856-1859, 1860-1865, 1869-1870; Partido Progressista Histórico) - 3 042 dias;
8. António Guterres (1995-2002; Partido Socialista) - 2 350 dias;
9. Duque da Terceira (1836, 1842-1846, 1851, 1859-1860; Partido Regenerador) - 2 121 dias;
10. Marcelo Caetano (1968-1974; Acção Nacional Popular) - 2 038 dias;
11. Mário Soares (1976-1978, 1983-1985; Partido Socialista) - 1 647 dias;
12. Marquês de Sá da Bandeira (1836-1837, 1837-1839, 1865, 1868-1869, 1870; Partido Reformista) - 1 410 dias;
13. Joaquim António de Aguiar (1841-1842, 1860, 1865-1868; Partido Regenerador) - 1 129 dias;
14. Afonso Costa (1913-1914, 1915-1916, 1917; Partido Republicano) - 1 102 dias;
15. Domingos Oliveira (1930-1932; Ditadura Militar) - 896 dias;
16. Pinto Balsemão (1981-1983; Partido Social Democrata) - 881 dias;
17. António Maria da Silva (1920, 1922-1923, 1925, 1925-1926; Partido Republicano) - 863 dias;
18. Duque de Ávila (1868, 1870-1871, 1877-1878; Partido Reformista) - 845 dias;
19. Durão Barroso (2002-2004; Partido Social Democrata) - 833 dias;
20. José Sócrates (desde 2005; Partido Socialista) - 730 dias, no segundo aniversário.

Em média, as 85 pessoas que ocuparam este cargo governaram o país durante 778 dias.

Fonte: Centro de Estudos do Pensamento Político.

11 de março de 2007

39. Liberdade

A Freedom House publicou mais uma vez o índice de liberdade política. Portugal obteve em 2006, pelo 16º ano consecutivo, o melhor valor (1) da escala entre 1 e 7. Os 49 países com esta classificação representam 13% da população mundial. Os 21 países com 16 ou mais anos consecutivos com o nível máximo de liberdade política representam 6,5% da humanidade: Noruega, Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Países Baixos, Islândia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Suíça, Suécia, Luxemburgo, São Marino, Barbados, Tuvalu, Finlândia, Chipre, Ilhas Marshall, Liechtenstein, Malta e Portugal.
No extremo oposto os países com regimes mais repressivos (índice 7): Coreia do Norte, Birmânia, Somália, Cuba, Líbia, Turcomenistão, Sudão e Uzbequistão.

10 de março de 2007

38. Dr. Estranho Amor

«[the President calls the Soviet Premier]
President Merkin Muffley: [to Kissoff] Hello?... Uh... Hello D- uh hello Dmitri? Listen uh uh I can't hear too well. Do you suppose you could turn the music down just a little?... Oh-ho, that's much better... yeah... huh... yes... Fine, I can hear you now, Dmitri... Clear and plain and coming through fine... I'm coming through fine, too, eh?... Good, then... well, then, as you say, we're both coming through fine... Good... Well, it's good that you're fine and... and I'm fine... I agree with you, it's great to be fine... a-ha-ha-ha-ha... Now then, Dmitri, you know how we've always talked about the possibility of something going wrong with the Bomb... The *Bomb*, Dmitri... The *hydrogen* bomb!... Well now, what happened is... ahm... one of our base commanders, he had a sort of... well, he went a little funny in the head... you know... just a little... funny. And, ah... he went and did a silly thing... Well, I'll tell you what he did. He ordered his planes... to attack your country... Ah... Well, let me finish, Dmitri... Let me finish, Dmitri... Well listen, how do you think I feel about it?... Can you *imagine* how I feel about it, Dmitri?... Why do you think I'm calling you? Just to say hello?... *Of course* I like to speak to you!... *Of course* I like to say hello!... Not now, but anytime, Dmitri. I'm just calling up to tell you something terrible has happened... It's a *friendly* call. Of course it's a friendly call... Listen, if it wasn't friendly... you probably wouldn't have even got it... They will *not* reach their targets for at least another hour... I am... I am positive, Dmitri... Listen, I've been all over this with your ambassador. It is not a trick... Well, I'll tell you. We'd like to give your air staff a complete run-down on the targets, the flight plans, and the defensive systems of the planes... Yes! I mean i-i-i-if we're unable to recall the planes, then... I'd say that, ah... well, ah... we're just gonna have to help you destroy them, Dmitri... I know they're our boys... All right, well listen now. Who should we call?... *Who* should we call, Dmitri? The... wha-whe, the People... you, sorry, you faded away there... The People's Central Air Defense Headquarters... Where is that, Dmitri?... In Omsk... Right... Yes... Oh, you'll call them first, will you?... Uh-huh... Listen, do you happen to have the phone number on you, Dmitri?... Whe-ah, what? I see, just ask for Omsk information... Ah-ah-eh-uhm-hm... I'm sorry, too, Dmitri... I'm very sorry... *All right*, you're sorrier than I am, but I am as sorry as well... I am as sorry as you are, Dmitri! Don't say that you're more sorry than I am, because I'm capable of being just as sorry as you are... So we're both sorry, all right?... All right.»

Stanley Kubrick, Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

9 de março de 2007

37. Hambúrguer

Novo recorde mundial: hambúrguer de 55,91 kg. Pôde ser comido no Denny's Beer Barrel Pub, na vila de Clearfield, na Pensilvânia. Não está normalmente à venda. No entanto, no âmbito do seu «Burger Challenge», o restaurante serve o Beer Burger Belly Bruiser (23kg), por $179,95. «Delivered to any location». Hum...

8 de março de 2007

36. Rendimentos

A declaração de rendimentos é algo de muito aborrecido. Acho que a Direcção-Geral de Impostos deveria levar mais a sério as minhas sugestões do ano passado: os campos numéricos de preenchimento obrigatório deveriam ser intercalados com questões qualitativas, como as seguintes:
- número de infracções ao trânsito (a adicionar ao rendimento);
- número de dias em que se disse bom dia no elevador (a deduzir ao rendimento);
- descobrir erros ortográficos num texto (a deduzir à colecta por erro descoberto);
- cores favoritas (neutro, a menos que seja o carmim);
- número de actos eleitorais em que participou como eleitor (deduzir);
- qual o livro que está a ler neste momento (neutral);
- qual o concerto ao vivo em que se divertiu mais (neutral);
- pensa muitas vezes em como poderia ter sido mais feliz na sua infância (abater à colecta);
- sequência de imagens para adivinhar (abater se certo);
- qual a capital do Mali (abater se certo);
- referir três serras portuguesas (abater número de serras certas);
- pequena composição de uma página sobre tema à escolha (a deduzir de acordo com avaliação por comissão de peritos);
- contribuir com um provérbio, canção popular ou artigo artesanal para o espólio de arte popular (a deduzir);
- etc.

Em alternativa, ou em acumulação, a declaração electrónica poderia ser apresentada sob a forma de blogue, com artigos, imagens ou ficheiros media de interesse geral entre os campos numéricos de preenchimento obrigatório.

Acho que a declaração de rendimentos pode, e deve, ser uma tarefa divertida e de intensa interacção cívica.

7 de março de 2007

35. Grande Muralha

Fui informado pelo Great Firewall of China que este blogue foi bloqueado pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China. Bem sei, a China outra vez. Mas afinal são 20% da humanidade.
Apesar desta censura, e dado que os chineses são os mestres da contrafacção, 3% dos visitantes deste blogue são residentes na China. Provavelmente são membros do Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China.
De certa forma é reconfortante ser finalmente vítima da censura. Posso enfim comover-me com os discursos e poemas do Manuel Alegre.
A investigação que se seguiu ao choque inicial provocado por esta revelação, informou-me que:
i) a República Popular da China tem uma Constituição, aprovada em 1982, com o seguinte artigo 35.º: «Os cidadãos da República Popular da China gozam de liberdade de expressão, imprensa, reunião, associação e manifestação». No entanto, «a República Popular da China é um estado socialista sob a ditadura democrática do povo ...» (artigo 1.º).
ii) Mao Tse-Tung, o pai do actual regime chinês, teve o seu primeiro emprego em 1919, como assistente de bibliotecário na Universidade de Pequim. Não sei que espólio bibliográfico haveria nessa época na biblioteca da Universidade de Pequim, mas o resultado é que, em 2007, este blogue foi bloqueado pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China.
Tudo isto me incomoda, embora não saiba o interesse que as coisas que se escrevem aqui possam ter para aqueles 20% da humanidade. Ou mesmo para os 4% da humanidade que conseguem ler isto.

6 de março de 2007

34. Meia-noite e trinta

É o problema dos trinta. Mais ou menos como a equivalência de idade entre humanos e caninos. A partir das dez da noite cada minuto para alguém com 20 anos é equivalente a cerca de 2 minutos para alguém com 30. Assim, esta hora (00:30) para um vintão é equivalente a 03:00 para um trintão.
Por isso, limito-me a repetir que «...a mentira só no outro se torna imoralidade como tal. Toma este por estúpido e serve de expressão à irresponsabilidade. Entre os insidiosos práticos de hoje, a mentira já há muito perdeu a sua honrosa função de enganar acerca do real. Ninguém acredita em ninguém, todos sabem a resposta. Mente-se só para dar a entender ao outro que a alguém nada nele importa, que dele não se necessita, que lhe é indiferente o que ele pensa acerca de alguém. A mentira, que foi outrora um meio liberal de comunicação, transformou-se hoje numa das técnicas da insolência, graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza, e sob cuja protecção pode prosperar.» (Theodor Adorno, retirado do Citador).
Nunca tinha ouvido falar neste filósofo alemão. Mas esta citação pareceu-me muito adequada ao buliçoso dia-a-dia num edifício de escritórios de uma grande metrópole moderna.

5 de março de 2007

33. Santa Comba Dão

«Fascismo nunca mais!» => Museu Salazar.

4 de março de 2007

32. Resistência

«O Exército das Sombras» é um filme de 1969, realizado por Jean-Pierre Melville. Passa-se na França em 1942: um grupo de homens e uma mulher combatem, na sombra, os alemães. Não há grande combate, na realidade. Esperava encontrar grandes sabotagens a movimentos de tropas, explosão de pontes, atentados contra responsáveis nazis, etc. Mas não. O filme relata as relações - de fidelidade ou traição - dos membros da resistência.
Acho que perdi algum do fascínio que sentia sobre a resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial: em vez das boinas bascas, havia apenas chapéus de gangster e gabardinas.
Sempre que vejo filmes de guerra relatados pela parte vencedora penso na veracidade da personalidade dos vencidos. Os alemães são sempre retratados como sanguinários, sádicos, indiferentes ao sofrimento alheio. Interrogo-me se é possível. Não haveria nenhum alemão bonzinho que pestanejasse ao premir o gatilho ou ao accionar as câmaras de gás? Nenhum que esboçasse um sorriso enquanto um francês dinamitava um quartel nazi? Os risos que se vêem nos alemães são as gargalhadas loucas dos soldados que atiram granadas para dentro de uma escola primária. Não sei como a união monetária consegue sobreviver a isto.
A única actriz do filme é Simone Signoret. É uma activa terrorista. Planeia minuciosamente as acções da sua célula da resistência. Disfarça-se de enfermeira ou de camponesa cossaca e entra em acção militar. No momento seguinte é apenas mais uma cinzenta transeunte numa cidade enevoada e vazia.

3 de março de 2007

31. Lincoln

«If this is coffee, please bring me some tea; but if this is tea, please bring me some coffee.»
Abraham Lincoln

O que neste caso quer dizer que ontem adormeci outra vez a ver televisão («A Síndroma da China», RTP Memória, 10:05 PM) . Felizmente ainda tive tempo de ver a parte que me permitiu finalmente perceber o que seria a síndroma da China (a China mais uma vez). Essa explicação está de certa forma ilustrada pela imagem anexa (sim, seria um buraco na Terra entre a América e a China [a China mais uma vez], provocado por um desastre numa central nuclear). Um muito obrigado ao serviço público de televisão e à RTP Memória em particular.

2 de março de 2007

30. Discurso

«In the long history of the world, only a few generations have been granted the role of defending freedom in its hour of maximum danger. I do not shrink from this responsibility - I welcome it. I do not believe that any of us would exchange places with any other people or any other generation. The energy, the faith, the devotion which we bring to this endeavor will light our country and all who serve it. And the glow from that fire can truly light the world.
And so, my fellow Americans, ask not what your country can do for you; ask what you can do for your country.
My fellow citizens of the world, ask not what America will do for you, but what together we can do for the freedom of man.»

John F. Kennedy, 20 de Janeiro de 1961

1 de março de 2007

29. Disfarce

Não fiquei surpreendido ao verificar que hoje o meu Volkswagen se tinha disfarçado de arbusto. Afinal, ele sempre teve um sentido de humor muito especial. O que achei estranho foi encontrar-lhe o proibido «Trópico de Câncer» na mesa de cabeceira.
Vou pensar que é apenas uma fase, antes de o levar à oficina para automóveis sobredotados. Entretanto já lhe referi, em passagem, que o Governo oferece 240 contos por carros com mais de 15 anos.