31 de janeiro de 2010

1096. Tarde

«It was an evening which, by some mysterious combination of failing light and the smell of an unrecognised plant, brings back to some men the sense of childhood and of future hope and to others the sense of something which has been lost and almost forgotten.»

Graham Greene, 1973.

1095. Ramos

1094. Lisboa

Gabinete de Estudos Olisiponenses.

1093. Chão

29 de janeiro de 2010

1092. Lua

«War talk by men who have been in a war is always interesting; whereas moon talk by a poet who has not been in the moon is likely to be dull.»

Mark Twain, 1883

1091. O navio

1090. Informação

«Information got abolished sometime in the twentieth century … Since then we've been living in a fairy-story. … Everything happens by magic. Us fairies haven't a fucking notion what's going on.»

Salman Rushdie, 1988

26 de janeiro de 2010

1089. Janelas

1088. Acidente

«A vida, uma sucessão de dias. Pequenos-almoços. Medir o café com a colher de plástico cor-de-laranja, encher o filtro, ligar a máquina, saborear o cheiro que se vai espalhando pela cozinha. Sentir os cheiros mais intensamente, mais conscientemente, ainda não me tinha ocorrido, não sabia que perderias essa faculdade. Perdas, disse o teu médico, não se podem evitar em cada um dos casos, mas tentamos que sejam tão insignificantes quanto possível. Deixar o ovo cozer exactamente cinco minutos, realizar essa proeza quotidiana apesar da avaria do conta-minutos. Prazeres palpáveis. A estrutura sustém a vida, mesmo durante os tempos mortos.»

Christa Wolf, 1987

25 de janeiro de 2010

1087. O Homem da Câmara de Filmar


Dziga Vertov, 1929

1086. Trabalho

«'People mutht be amuthed, Thquire, thomehow,' continued Sleary, rendered more pursy than ever, by so much talking; 'they can't be alwayth a working, nor yet they can't be alwayth a learning. Make the betht of uth; not the wurtht. I've got my living out of the horthe-riding all my life, I know; but I conthider that I lay down the philothophy of the thubject when I thay to you, Thquire, make the betht of uth: not the wurtht!'»

Charles Dickens, Hard Times, 1854

24 de janeiro de 2010

1085. Shelter

1084. Dolores

«We continued our grotesque journey. After a forlorn and useless dip, we went up and up. On a steep grade I found myself behind the gigantic truck that had overtaken us. It was now groaning up a winding road and was impossible to pass. Out of its front part a small oblong of smooth silver - the inner wrapping of chewing gum-escaped and flew back into our windshield. It occurred to me that if I were really losing my mind, I might end by murdering somebody. In fact - said high-and-dry Humbert to floundering Humbert - it might be quite clever to prepare things - to transfer the weapon from box to pocket - so as to be ready to take advantage of the spell of insanity when it does come.»

Vladimir Nabokov, Lolita, 1955

20 de janeiro de 2010

1082. Monarquia

«Hereditary succession has no claim. For all men being originally equals, no one by birth could have the right to set up his own family in perpetual preference to all others for ever, and tho' himself might deserve some decent degree of honours of his contemporaries, yet his descendants might be far too unworthy to inherit them.»

Thomas Paine, 1776.

1081. Aqaba

1080. 1755

Lisbon Pre 1755 Earthquake.

19 de janeiro de 2010

1079. Alter do Chão

Fundação: 1232
População 2008: 3 442
População 1950: 9 552

17 de janeiro de 2010

1078. Blog

«A blog (a contraction of the term "web log") is a type of website, usually maintained by an individual with regular entries of commentary, descriptions of events, or other material such as graphics or video.»

Wikipedia

1077. Construções

11 de janeiro de 2010

1076. Bom

«I don't think goodness is something that you learn. If you're left adrift in the world to learn goodness from it, you would be in trouble.»

Cormac McCarthy, 2009.

1075. Tecto

9 de janeiro de 2010

1074. Eu vi a luz

«Foi um Verão como este - inválido, sonso, em quartos
desabitados, o zumbido das varejeiras e dias por escandir,
gatos que apareciam imprevistos e olhavam de esguelha,
o estouro plebeu de anilhas de latas de cerveja. Um livro

nas mãos que se folheia para alongar o desejo que se tem de o ler.
No comboio duas raparigas a quem muito os óculos roubavam
graça, pararam de conversar quando eu entrei. Sorri de embaraço
e partilhei o banco: figurantes sem graça, nem pena, que cabeceavam.

Finalmente todos comungámos a modorra de quem vai em
noite de Verão para um local tão insondável como Amadora
ou Cacém. Ainda que tentasse ler, de novo os olhos se erguiam
para a mão triste que suspendia um gesto, para o olhar que retribuía

a súplica: por que estamos tão perto de chegar, por que simular
enfado, por que parou o comboio, o que vai acontecer?»

José Alberto Oliveira, 1997

1073. Flores excitadas

1072. A pêra

«A pêra
O pote de compota
O cair da tarde
O rio da paisagem
O verde da garrafa
Pousado sobre a mesa
Onde tu e eu estamos
A olhar eternos
Os olhos de quem nos olha
Aqui neste teatro»

António Dacosta

1071. Lagarto

8 de janeiro de 2010

1070. Full of life now

«Full of life now, compact, visible,
I, forty years old the eighty-third year of the States,
To one a century hence or any number of centuries hence,
To you yet unborn these, seeking you.

When you read these I that was visible am become invisible,
Now it is you, compact, visible, realizing my poems, seeking me,
Fancying how happy you were if I could be with you and become your comrade;
Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am now with you.)»

Walt Whitman

1069. Rocha

1068. Amigo

«Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo»!

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!»

Alexandre O'Neill.

1067. Letras

2 de janeiro de 2010

1066. O poeta num eléctrico

«De súbito ao cair de mais um ano
sou por instantes sinto-me ao cair da tarde
do sol que antes brilhante é luz lustrosa
e pegajosa agora à superfície da calçada
na humilhante morte de quem era alto eterno e dominante
sou ao cair da tarde de um ano que cai
eu o poeta o instalado o mais que muito aburguesado
um colectivo passageiro num eléctrico
mas só supostamente anónimo ou popular ou colectivo
pois posso dar-me ao luxo de evocar um livro lido há muito
num destes animais metálicos já hoje arcaicos deslocados
e amanhã vivos apenas nesse livro do zé gomes que os evoca
e eu me posso dar ao luxo de evocar após haver falado
nessa farmácia onde comprei há pouco antiasmático
do cão asmático das praias que primeiro ouvi tossir
num verso do o’neill e só depois num mês de maio em espinho
ao imprimir na areia graves passos de poeta nupcial
sinto-me alguém de súbito ao pagar o meu bilhete
bilhete de quem volta e de quem vive do trabalho
mas que pode exibir o seu sapato alto à moda
e alinhar uns versos no papel da embalagem do remédio
E eu que distraído e que perdido e que privado já
de mais alguma face da embalagem do remédio onde escrevia
eu que já não sabia como pôr ponto final
em toda esta conversa mais do que fiada
dizer ao ver que continuo alheio lírico e sentado
oiço a voz grossa e neutra do sisudo guarda-freio
que chegámos ao fim fim da viagem para ele
e fim deste poema para mim»

Ruy Belo.