27 de fevereiro de 2008

247. Conformista

246. Merenda

O Emir estava a dormir uma sesta quando de repente o seu tigre siberiano - o Nejed - lhe lambeu a bochecha. Já eram horas de merendar. O tigre e o Emir, deitados na sua marquesa de bambu bebem agora o seu leite de camela mugida por doze faquires. Ah, e umas seis bolachinhas oreo. Para o Emir, claro. O Nejed prefere sempre os seus sete camarões fritos em óleo de palma. Molhados no leite são um petisco. Refastelam-se os dois a ver a Oprah. O Emir comenta o que se passa e faz zapping nos intervalos. Boceja-se, riem-se da Al-Jazeerah, meneiam os ombros com um bom ragga. É a hora da merenda. Mais devagar com o leque, Maria, está a fazer-nos frio.

26 de fevereiro de 2008

245. América

Quero ir à América.

«Don't Fence Me In

Wildcat Kelley, lookin' mighty pale,
Was standin' by the sherrif's side
And when the sherrif said "I'm sendin you to jail,
Wildcat raised his head and cried

Oh, give me land, lots of land under starry skies above,
Don't fence me in.
Let me ride through the wide open country that I love,
Don't fence me in.
Let me be by myself in the evenin' breeze,
listen to the murmur of the cottonwood trees,
Send me off forever but I ask you please,
Don't fence me in.

Just turn me loose, let me straddle my old saddle
Underneath the western skies.
On my Cayuse, let me wander over yonder
Till I see the mountains rise.

I want to ride to the ridge where the west commences
gaze at the moon till I lose my senses
I can't look at hobbles and I can't stand fences
Don't fence me in.

Wildcat Kelley, back again in town,
was standin by his sweethearts side,
And when his sweetheart said "come on let's settle down",
Wildcat raised his head and cried

Oh, give me land, lots of land under starry skies,
Don't fence me in.
Let me ride through the wide open country that I love,
Don't fence me in.
Let me be by myself in the evenin' breeze
listen to the murmur of the cottonwood trees
Send me off forever but I ask you please,
Don't fence me in

Just turn me loose, let me straddle my old saddle
Underneath the western skies
On my Cayuse, let me wander over yonder
Till I see the mountains rise.

I want to ride to the ridge where the west commences
gaze at the moon till I lose my senses
I can't look at hobbles and I can't stand fences
Don't..... fence me in.»

Robert Fletcher, 1934

244. Búfalo

«E ali estava agora sentada, quieta no casaco marrom. O banco ainda parado, a maquinaria da montanha-russa ainda parada. Separada de todos no seu banco parecia estar sentada numa igreja. Os olhos baixos viam o chão entre os trilhos. O chão onde simplesmente por amor - amor, amor, não o amor! - onde por puro amor nasciam entre os trilhos ervas de um verde tão leve tão tonto que a fez desviar os olhos em suplício de tentação. A brisa arrepiou-lhe os cabelos da nuca, ela estremeceu recusando, em tentação recusando, sempre tão mais fácil matar.»

Clarice Lispector, Laços de Família, 1960.

25 de fevereiro de 2008

243. Desenho

242. Corrente

Apesar de o fenómeno da corrente ser um pouco pequeno-burguês, as obrigações sociais levam-me a destacar as seguintes doze palavras:

1. Malaposta: mistura culinária e viagens.
2. Estiagem: quente e seca.
3. Lamiré: só para causar inveja.
4. Blaterar: um tom de voz muito utilizado.
5. Marasmo: é o dia-a-dia.
6. Frémito: em honra do século XIX.
7. Vinheta: estranho não estar relacionado com bebida.
8. Balconista: podia ser um membro de corrente política, mas não é.
9. Armilar: gosto do som quase italiano que pode ser feito com o l.
10. Acrescento: assusta-me o som sibilante que pode ser feito com o sc.
11. Inócuo: som oco.
12. Petulante: sim, esgotei as ideias.

Agora é para passar isto a cinco blogues:
Bloguices da Marquesa
Ler por aí

Fada Moranga
Ana às Voltas
E, não, não conheço mais ninguém.

241. Hitch

240. Abajur

Novo blogue: Abat-Jour.

18 de fevereiro de 2008

238. Clarice Lispector

«- Se você não pudesse mais escrever, você morreria?
- Eu acho que quando não escrevo eu estou morta.»

«- Eu me compreendo. De modo que eu não sou hermética para mim. Bom, tem um conto meu que eu não compreendo muito bem.
- Que conto?
- O ovo e a galinha.
- Entre os seus diversos trabalhos sempre existe, isso é natural, um filho predilecto. Qual é aquele que você vê com maior carinho até hoje?
- O ovo e a galinha, que é um mistério para mim.»

«- No seu entender, qual é o papel do escritor brasileiro hoje em dia?
- O de falar o menos possível.»


Entrevista com Clarice Lispector, Tv Cultura, 1977.

237. Selvagens II

Sem querer eternizar a questão dos selvagens.

Lucky Luke e o Caçador de Prémios, Morris & Goscinny, 1972.

17 de fevereiro de 2008

236. Kosovo

República do Kosovo:
População: 2 milhões (margem norte de Lisboa)
Superfície: 11 mil km2 (Estremadura)
PIB: 2 mil milhões de euros (distrito de Évora)
Independência: 17.II.2008 (hoje)

235. Estações

234. Mensagem de tarde de chuva

Preciso aprender a ser só

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Ah o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Paulo Sérgio Valle.

16 de fevereiro de 2008

233. Rossio

Reabriu o túnel do Ressio.

232. Bacalhau

Há coisas que não podem deixar de ser referidas: a câmara baixa do parlamento do estado de Massachusetts tem, desde o século XVIII, um bacalhau de madeira pendurado no tecto. É o chamado Bacalhau Sagrado de Massachusetts.

231. Chrysler

230. Lisboa

Lisboa vimos crescer
em povos, e em grandeza,
e muito se enobrecer
em edifícios, riqueza,
em armas e em poder.
Porto e trato não há tal,
a terra não tem igual,
nas frutas, nos mantimentos,
governo, bons regimentos
lhe falece e não al.

Garcia de Resende, Miscelânea

13 de fevereiro de 2008

229. Big mouth

228. Cebola II

«Foram tempos loucos de dança. Nós, os vencidos, estávamos sedentos pela música libertadora, com a duração de um blues, dos vencedores transatlânticos: «Don't fence me in...».
Tratava-se de festejar a sobrevivência e de esquecer os respectivos acasos encenados pela guerra. Aquilo que tinha sido vergonhoso ou terrível e que espreitava por trás das costas não vinha à baila. O passado e o terreno montanhoso que surgiu das valas comuns era aplanado na superfície de dança de sábado para domingo.»

Descascando a Cebola, Günter Grass, 2006

5 de fevereiro de 2008

227. Castor

Sim, mas fazer uma casa no rio não é uma coisa simples.

226. Cuba

No dia 20 de Janeiro de 2008 realizaram-se eleições em Cuba: o Partido Comunista obteve mais uma gloriosa vitória com a eleição de 614 deputados para a Assembleia Nacional do Poder Popular, com 614 deputados. A próxima festa da democracia é em 2013.

225. Botões

A tecnologia é uma coisa complexa. Junto um pequeno exemplo. Eu próprio passo a vida a enganar-me entre os botões de «load», «ready» e «start». Normalmente fico-me por um «reverse» + «200» + «unload». É fácil e concreto. É seguro. Não me arrisco num disparatado «Power»+ «800» + «Start». Talvez se assumir o quinto café diário com ginseng possa um dia chegar a um «forward» + «200» + «load».

4 de fevereiro de 2008

224. Cebola

«Aliás, a sequência cronológica da minha história aperta-me como um espartilho. Ah, se eu pudesse remar agora para trás e aterrar numa das praias do Báltico, onde em criança moldava castelos com areia molhada... ah, seu eu me pudesse sentar uma vez mais debaixo da janela do sótão e pudesse ler, perdido de mim, como nunca mais depois disso... ou voltar a estar acocorado debaixo de uma lona de tenda com o meu camarada Joseph e lançar dados pelo futuro, naquele tempo, em que parecia estar ainda fresco como o orvalho e como que acabado de nascer...»

Descascando a Cebola, Günter Grass, 2006

2 de fevereiro de 2008

1 de fevereiro de 2008

222. Aniversário

Ontem isto fez um ano.

221. A esquerda moderna e os selvagens

Rui Tavares, Público de 28.I.2008:

«A anexação da Papua Ocidental foi levada na sua presidência até morrer um sexto da população total e praticamente ser dizimada a população selvagem

É engraçado ver o politicamente correcto de esquerda utilizar o vocabulário da extrema direita do século XIX. O que aconteceu ao «nativo», ao «indígena», ao «autóctone», ao «aborígene»? Ou mesmo ao «pagão» ou «bárbaro». «Selvagem» pelo menos é o mesmo que «silvestre» ou «natural».