7 de fevereiro de 2010
1102. O estrangeiro
«C'est alors que tout a vacillé. [...] Tout mon être s'est tendu et j'ai crispé ma main sur le revolver. La gâchette a cédé, j'ai touché le ventre poli de la crosse et c'est là, dans le bruit à la fois sec et assourdissant que tout a commencé. J'ai secoué la sueur et le soleil. J'ai compris que j'avais détruit l'équilibre du jour, le silence exceptionnel d'une plage où j'avais été heureux. Alors, j'ai tiré encore quatre fois sur un corps inerte où les balles s'enfonçaient sans qu'il y parût. Et c'était comme quatre coups brefs que je frappais sur la porte du malheur.»
Albert Camus, 1942.
Albert Camus, 1942.
1100. Weird but true
Diz que é um professor universitário português, que escreve artigos no Destak. No século XXI.
3 de fevereiro de 2010
1 de fevereiro de 2010
31 de janeiro de 2010
1096. Tarde
«It was an evening which, by some mysterious combination of failing light and the smell of an unrecognised plant, brings back to some men the sense of childhood and of future hope and to others the sense of something which has been lost and almost forgotten.»
Graham Greene, 1973.
Graham Greene, 1973.
29 de janeiro de 2010
1092. Lua
«War talk by men who have been in a war is always interesting; whereas moon talk by a poet who has not been in the moon is likely to be dull.»
Mark Twain, 1883
Mark Twain, 1883
1090. Informação
«Information got abolished sometime in the twentieth century … Since then we've been living in a fairy-story. … Everything happens by magic. Us fairies haven't a fucking notion what's going on.»
Salman Rushdie, 1988
Salman Rushdie, 1988
26 de janeiro de 2010
1088. Acidente
«A vida, uma sucessão de dias. Pequenos-almoços. Medir o café com a colher de plástico cor-de-laranja, encher o filtro, ligar a máquina, saborear o cheiro que se vai espalhando pela cozinha. Sentir os cheiros mais intensamente, mais conscientemente, ainda não me tinha ocorrido, não sabia que perderias essa faculdade. Perdas, disse o teu médico, não se podem evitar em cada um dos casos, mas tentamos que sejam tão insignificantes quanto possível. Deixar o ovo cozer exactamente cinco minutos, realizar essa proeza quotidiana apesar da avaria do conta-minutos. Prazeres palpáveis. A estrutura sustém a vida, mesmo durante os tempos mortos.»
Christa Wolf, 1987
Christa Wolf, 1987
25 de janeiro de 2010
1086. Trabalho
«'People mutht be amuthed, Thquire, thomehow,' continued Sleary, rendered more pursy than ever, by so much talking; 'they can't be alwayth a working, nor yet they can't be alwayth a learning. Make the betht of uth; not the wurtht. I've got my living out of the horthe-riding all my life, I know; but I conthider that I lay down the philothophy of the thubject when I thay to you, Thquire, make the betht of uth: not the wurtht!'»
Charles Dickens, Hard Times, 1854
Charles Dickens, Hard Times, 1854
24 de janeiro de 2010
1084. Dolores
«We continued our grotesque journey. After a forlorn and useless dip, we went up and up. On a steep grade I found myself behind the gigantic truck that had overtaken us. It was now groaning up a winding road and was impossible to pass. Out of its front part a small oblong of smooth silver - the inner wrapping of chewing gum-escaped and flew back into our windshield. It occurred to me that if I were really losing my mind, I might end by murdering somebody. In fact - said high-and-dry Humbert to floundering Humbert - it might be quite clever to prepare things - to transfer the weapon from box to pocket - so as to be ready to take advantage of the spell of insanity when it does come.»
Vladimir Nabokov, Lolita, 1955
Vladimir Nabokov, Lolita, 1955
23 de janeiro de 2010
20 de janeiro de 2010
1082. Monarquia
«Hereditary succession has no claim. For all men being originally equals, no one by birth could have the right to set up his own family in perpetual preference to all others for ever, and tho' himself might deserve some decent degree of honours of his contemporaries, yet his descendants might be far too unworthy to inherit them.»
Thomas Paine, 1776.
Thomas Paine, 1776.
19 de janeiro de 2010
17 de janeiro de 2010
1078. Blog
«A blog (a contraction of the term "web log") is a type of website, usually maintained by an individual with regular entries of commentary, descriptions of events, or other material such as graphics or video.»
Wikipedia
Wikipedia
11 de janeiro de 2010
1076. Bom
«I don't think goodness is something that you learn. If you're left adrift in the world to learn goodness from it, you would be in trouble.»
Cormac McCarthy, 2009.
Cormac McCarthy, 2009.
9 de janeiro de 2010
1074. Eu vi a luz
«Foi um Verão como este - inválido, sonso, em quartos
desabitados, o zumbido das varejeiras e dias por escandir,
gatos que apareciam imprevistos e olhavam de esguelha,
o estouro plebeu de anilhas de latas de cerveja. Um livro
nas mãos que se folheia para alongar o desejo que se tem de o ler.
No comboio duas raparigas a quem muito os óculos roubavam
graça, pararam de conversar quando eu entrei. Sorri de embaraço
e partilhei o banco: figurantes sem graça, nem pena, que cabeceavam.
Finalmente todos comungámos a modorra de quem vai em
noite de Verão para um local tão insondável como Amadora
ou Cacém. Ainda que tentasse ler, de novo os olhos se erguiam
para a mão triste que suspendia um gesto, para o olhar que retribuía
a súplica: por que estamos tão perto de chegar, por que simular
enfado, por que parou o comboio, o que vai acontecer?»
José Alberto Oliveira, 1997
desabitados, o zumbido das varejeiras e dias por escandir,
gatos que apareciam imprevistos e olhavam de esguelha,
o estouro plebeu de anilhas de latas de cerveja. Um livro
nas mãos que se folheia para alongar o desejo que se tem de o ler.
No comboio duas raparigas a quem muito os óculos roubavam
graça, pararam de conversar quando eu entrei. Sorri de embaraço
e partilhei o banco: figurantes sem graça, nem pena, que cabeceavam.
Finalmente todos comungámos a modorra de quem vai em
noite de Verão para um local tão insondável como Amadora
ou Cacém. Ainda que tentasse ler, de novo os olhos se erguiam
para a mão triste que suspendia um gesto, para o olhar que retribuía
a súplica: por que estamos tão perto de chegar, por que simular
enfado, por que parou o comboio, o que vai acontecer?»
José Alberto Oliveira, 1997
1072. A pêra
«A pêra
O pote de compota
O cair da tarde
O rio da paisagem
O verde da garrafa
Pousado sobre a mesa
Onde tu e eu estamos
A olhar eternos
Os olhos de quem nos olha
Aqui neste teatro»
António Dacosta
O pote de compota
O cair da tarde
O rio da paisagem
O verde da garrafa
Pousado sobre a mesa
Onde tu e eu estamos
A olhar eternos
Os olhos de quem nos olha
Aqui neste teatro»
António Dacosta
8 de janeiro de 2010
1070. Full of life now
«Full of life now, compact, visible,
I, forty years old the eighty-third year of the States,
To one a century hence or any number of centuries hence,
To you yet unborn these, seeking you.
When you read these I that was visible am become invisible,
Now it is you, compact, visible, realizing my poems, seeking me,
Fancying how happy you were if I could be with you and become your comrade;
Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am now with you.)»
Walt Whitman
I, forty years old the eighty-third year of the States,
To one a century hence or any number of centuries hence,
To you yet unborn these, seeking you.
When you read these I that was visible am become invisible,
Now it is you, compact, visible, realizing my poems, seeking me,
Fancying how happy you were if I could be with you and become your comrade;
Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am now with you.)»
Walt Whitman
1068. Amigo
«Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo»!
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!»
Alexandre O'Neill.
Inaugurámos a palavra «amigo»!
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!»
Alexandre O'Neill.
2 de janeiro de 2010
1066. O poeta num eléctrico
«De súbito ao cair de mais um ano
sou por instantes sinto-me ao cair da tarde
do sol que antes brilhante é luz lustrosa
e pegajosa agora à superfície da calçada
na humilhante morte de quem era alto eterno e dominante
sou ao cair da tarde de um ano que cai
eu o poeta o instalado o mais que muito aburguesado
um colectivo passageiro num eléctrico
mas só supostamente anónimo ou popular ou colectivo
pois posso dar-me ao luxo de evocar um livro lido há muito
num destes animais metálicos já hoje arcaicos deslocados
e amanhã vivos apenas nesse livro do zé gomes que os evoca
e eu me posso dar ao luxo de evocar após haver falado
nessa farmácia onde comprei há pouco antiasmático
do cão asmático das praias que primeiro ouvi tossir
num verso do o’neill e só depois num mês de maio em espinho
ao imprimir na areia graves passos de poeta nupcial
sinto-me alguém de súbito ao pagar o meu bilhete
bilhete de quem volta e de quem vive do trabalho
mas que pode exibir o seu sapato alto à moda
e alinhar uns versos no papel da embalagem do remédio
E eu que distraído e que perdido e que privado já
de mais alguma face da embalagem do remédio onde escrevia
eu que já não sabia como pôr ponto final
em toda esta conversa mais do que fiada
dizer ao ver que continuo alheio lírico e sentado
oiço a voz grossa e neutra do sisudo guarda-freio
que chegámos ao fim fim da viagem para ele
e fim deste poema para mim»
Ruy Belo.
sou por instantes sinto-me ao cair da tarde
do sol que antes brilhante é luz lustrosa
e pegajosa agora à superfície da calçada
na humilhante morte de quem era alto eterno e dominante
sou ao cair da tarde de um ano que cai
eu o poeta o instalado o mais que muito aburguesado
um colectivo passageiro num eléctrico
mas só supostamente anónimo ou popular ou colectivo
pois posso dar-me ao luxo de evocar um livro lido há muito
num destes animais metálicos já hoje arcaicos deslocados
e amanhã vivos apenas nesse livro do zé gomes que os evoca
e eu me posso dar ao luxo de evocar após haver falado
nessa farmácia onde comprei há pouco antiasmático
do cão asmático das praias que primeiro ouvi tossir
num verso do o’neill e só depois num mês de maio em espinho
ao imprimir na areia graves passos de poeta nupcial
sinto-me alguém de súbito ao pagar o meu bilhete
bilhete de quem volta e de quem vive do trabalho
mas que pode exibir o seu sapato alto à moda
e alinhar uns versos no papel da embalagem do remédio
E eu que distraído e que perdido e que privado já
de mais alguma face da embalagem do remédio onde escrevia
eu que já não sabia como pôr ponto final
em toda esta conversa mais do que fiada
dizer ao ver que continuo alheio lírico e sentado
oiço a voz grossa e neutra do sisudo guarda-freio
que chegámos ao fim fim da viagem para ele
e fim deste poema para mim»
Ruy Belo.
1 de janeiro de 2010
30 de dezembro de 2009
1064. Frase
«Um murmúrio imperceptível durante o dia, enche toda a penumbra nocturna.»
Teixeira de Pascoaes
Teixeira de Pascoaes
1062. Metro 50 anos
29.XII.1959: 11 estações
29.XII.1969: 15
29.XII.1979: 20
29.XII.1989: 24
29.XII.1999: 40
29.XII.2009: 52
29.XII.1969: 15
29.XII.1979: 20
29.XII.1989: 24
29.XII.1999: 40
29.XII.2009: 52
28 de dezembro de 2009
1060. O campo
É bom para dormir e comer, e comer e dormir, e comer e dormir. Mas é mau porque se grunhe e faz muito frio e muito calor. E porque se come demais. Come-se demais. Mas é bom porque se dorme. O suficiente.
27 de dezembro de 2009
1058. Schlesisches Tör
«É domingo ainda e chove ainda
num vago jardim perdido.
Fora de mim qualquer coisa em mim finda
como em alguém desconhecido.
Como se fosse domingo
no desfeito sonho de alguém
sonhando comigo,
lembro-me (quem?)
de outro jardim, de outro domingo
indistintamente existindo,
como eu próprio, em mim.
Agora em que jardim
alheio e indiferente
chove em mim para sempre?
Também eu sou outro
transportando um morto.»
Manuel António Pina.
num vago jardim perdido.
Fora de mim qualquer coisa em mim finda
como em alguém desconhecido.
Como se fosse domingo
no desfeito sonho de alguém
sonhando comigo,
lembro-me (quem?)
de outro jardim, de outro domingo
indistintamente existindo,
como eu próprio, em mim.
Agora em que jardim
alheio e indiferente
chove em mim para sempre?
Também eu sou outro
transportando um morto.»
Manuel António Pina.
26 de dezembro de 2009
1054. Correspondente
«Johnny Jones: This is Scott ffolliott, newspaperman same as you. Foreign correspondent. Mr. Haverstock, Mr. ffolliott.
Scott ffolliott: With a double 'F'.
Johnny Jones: How do you do?
Scott ffolliott: How do you do?
Johnny Jones: I don't get the double 'F'.
Scott ffolliott: They're at the beginning. Both small 'F's
Johnny Jones: They can't be at the beginning.
Scott ffolliott: One of my ancestors was beheaded by Henry VIII. His wife dropped the capital letter to commemorate it. There it is.
Johnny Jones: How do you say it, like a stutter?
Scott ffolliott: Just a straight 'fuh'.»
Foreign Correspondent, 1940.
Scott ffolliott: With a double 'F'.
Johnny Jones: How do you do?
Scott ffolliott: How do you do?
Johnny Jones: I don't get the double 'F'.
Scott ffolliott: They're at the beginning. Both small 'F's
Johnny Jones: They can't be at the beginning.
Scott ffolliott: One of my ancestors was beheaded by Henry VIII. His wife dropped the capital letter to commemorate it. There it is.
Johnny Jones: How do you say it, like a stutter?
Scott ffolliott: Just a straight 'fuh'.»
Foreign Correspondent, 1940.
21 de dezembro de 2009
1052. O mistério de Ameigen
«Eu sou o vento que sopra à flor do mar,
sou vaga do mar,
bramido do mar.»
Herberto Hélder
sou vaga do mar,
bramido do mar.»
Herberto Hélder
20 de dezembro de 2009
1050. Copenhaga
A cimeira do clima tem conclusões semelhantes às de um processo de corrupção em Portugal.
16 de dezembro de 2009
13 de dezembro de 2009
1046. Gracias a la vida
«Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
perfecto distingo lo negro del blanco,
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
graba noche y día grillos y canarios;
martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario,
con él las palabras que pienso y declaro:
madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos, montañas y llanos,
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano;
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
los dos materiales que forman mi canto,
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos, que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.»
Violeta Parra, 1965.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
perfecto distingo lo negro del blanco,
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
graba noche y día grillos y canarios;
martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario,
con él las palabras que pienso y declaro:
madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos, montañas y llanos,
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano;
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
los dos materiales que forman mi canto,
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos, que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.»
Violeta Parra, 1965.
12 de dezembro de 2009
10 de dezembro de 2009
8 de dezembro de 2009
1042. Desgraça
«'It's admirable what you do, what she does, but to me animal-welfare people are a bit like Christians of a certain kind. Everyone is so cheerful and well-intentioned that after a while you itch to go off and do some raping and pillaging. Or to kick a cat.'»
J.M. Coetzee, Disgrace, 1999.
J.M. Coetzee, Disgrace, 1999.
7 de dezembro de 2009
6 de dezembro de 2009
1040. Escuro
«A alma do Advento é a fé de quem não se resigna, o amor de quem acredita na solidariedade, a esperança de quem, mesmo perante o horizonte mais escuro, resiste, mas não dispensa a companhia dos poetas, dos sonhadores e da música.»
Bento Domingues, Público, 6.XII.2009
Bento Domingues, Público, 6.XII.2009
5 de dezembro de 2009
1038. Assim
«No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.»
Ricardo Reis, 1925.
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.»
Ricardo Reis, 1925.
2 de dezembro de 2009
1036. Never
«Never work before breakfast; if you have to work before breakfast, eat your breakfast first.»
Josh Billings, 1865.
Josh Billings, 1865.
1 de dezembro de 2009
1034. Fim
«This is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning.»
Winston Churchill, 1942.
Winston Churchill, 1942.
1032. Yo
«Yo voy por esta solitaria tierra,
de antiguos pensamientos molestado,
huyendo el resplandor del sol dorado,
que de sus puros rayos me destierra.
El paso a la esperanza se me cierra;
de una ardua cumbre a un cerro vo enriscado,
con los ojos volviendo al apartado
lugar, solo principio de mi guerra.
Tanto bien presenta la memoria,
y tanto mal encuentra la presencia,
que me desmaya el corazón vencido.
¡Oh crüeles despojos de mi gloria,
desconfïanza, olvido, celo, ausencia!;
¿por qué cansáis a un mísero rendido?»
Fernando de Herrera, 1597.
de antiguos pensamientos molestado,
huyendo el resplandor del sol dorado,
que de sus puros rayos me destierra.
El paso a la esperanza se me cierra;
de una ardua cumbre a un cerro vo enriscado,
con los ojos volviendo al apartado
lugar, solo principio de mi guerra.
Tanto bien presenta la memoria,
y tanto mal encuentra la presencia,
que me desmaya el corazón vencido.
¡Oh crüeles despojos de mi gloria,
desconfïanza, olvido, celo, ausencia!;
¿por qué cansáis a un mísero rendido?»
Fernando de Herrera, 1597.
30 de novembro de 2009
29 de novembro de 2009
1028. Snoopy
«Once there were two mice who lived in a museum. One evening after the museum had closed, the first mouse crawled into a huge suit of armor. Before he knew it, he was lost. "Help!" he shouted to his friend. "Help me make it through the knight!"»
Snoopy, World Famous Novelist, 1974.
Snoopy, World Famous Novelist, 1974.
1024. Bíblia e Hollywood
«Benaías, filho de Joiadá, homem de valor e de grandes façanhas, natural de Cabeciel, feriu os dois filhos de Ariel de Moab. Foi também ele quem desceu, num dia de neve, e matou um leão na cisterna. Matou ainda um egípcio agigantado, que tinha uma lança na mão. Aproximou-se dele com um simples bastão, arrancou-lhe a lança das mãos e matou-o com a sua própria arma.»
Segundo Livro de Samuel, ca. 1000 a.C.
Segundo Livro de Samuel, ca. 1000 a.C.
28 de novembro de 2009
1022. Índio
«We did not think of the great open plains, the beautiful rolling hills, the winding streams with tangled growth, as 'wild'. Only to the white man was nature a 'wilderness' and only to him was it 'infested' with 'wild' animals and 'savage' people. To us it was tame. Earth was bountiful and we were surrounded with the blessings of the Great Mystery.»
Luther Standing Bear (1868-1939)
Luther Standing Bear (1868-1939)
1020. Liberdade
«La liberté n'est ni une invention juridique ni un trésor philosophique, propriété chérie de civilisations plus dignes que d'autres parce qu'elles seules sauraient la produire ou la préserver. Elle résulte d'une relation objective entre l'individu et l'espace qu'il occupe, entre le consommateur et les ressources dont il dispose.»
Claude Lévi-Strauss, 1955.
Claude Lévi-Strauss, 1955.
1018. Cimeira
«Para los europeos América del Sur es un hombre de bigotes, con una guitarra y con un revólver.»
Gabriel García Márquez
Gabriel García Márquez
27 de novembro de 2009
22 de novembro de 2009
1016. Chuva
«Chove muito, chove excessivamente...
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela, de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah nesse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é
hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração...»
Álvaro de Campos, 1914.
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela, de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah nesse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é
hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração...»
Álvaro de Campos, 1914.
21 de novembro de 2009
1014. Oscar
«Oscar was a social introvert who trembled with fear during gym class and watched nerd British shows like Doctor Who and Blake's 7, and could tell you the difference between a Veritech fighter and a Zentraedi walker, and he used a lot of huge-sounding nerd words like indefatigable and ubiquitous when talking to niggers who would barely graduate from high school.»
Junot Díaz, The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, 2007
Junot Díaz, The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, 2007
17 de novembro de 2009
9 de novembro de 2009
1008. Muro
«The builders of our capital are fully engaged in residential construction, and its labor force is deployed for that. Nobody has the intention to erect a wall.»
15.VI.1961
Walter Ulbricht, Presidente da República Democrática Alemã, 1960-1973.
«Private travel into foreign countries can be requested without conditions (passports or family connections). Permission will be granted instantly. Permanent relocations can be done through all border checkpoints between the GDR into the FRG or Berlin West.»
9.XI.1989
Günter Schabowski, Líder do SED de Berlim Leste, 1985-1989.
15.VI.1961
Walter Ulbricht, Presidente da República Democrática Alemã, 1960-1973.
«Private travel into foreign countries can be requested without conditions (passports or family connections). Permission will be granted instantly. Permanent relocations can be done through all border checkpoints between the GDR into the FRG or Berlin West.»
9.XI.1989
Günter Schabowski, Líder do SED de Berlim Leste, 1985-1989.
8 de novembro de 2009
7 de novembro de 2009
4 de novembro de 2009
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