21 de setembro de 2008

372. Magoito

Setembro

A poesia dá-se bem com este mês,
cuja medida se assemelha à do verso - dias
partidos ao meio, deixando a alma indecisa
numa evocação de gastos sentimentos. Mas é
no campo, ao poente, saboreando o cheiro doce
dos frutos que apodrecem na terra, como algas
mortas, que uma voz insistente me chama - poe-
sia? Quem, por detrás do seu rosto sonoro e
abstracto? Memória que a noite depressa apaga...

Nuno Júdice, in Lira de Líquen, 1986

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