18 de junho de 2007

122. Casablanca

«Rick: Inside of us, we both know you belong with Victor. You're part of his work, the thing that keeps him going. If that plane leaves the ground and you're not with him, you'll regret it. Maybe not today. Maybe not tomorrow, but soon and for the rest of your life.
Ilsa: But what about us?
Rick: We'll always have Paris. We didn't have, we, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night.
Ilsa: When I said I would never leave you.
Rick: And you never will. But I've got a job to do, too. Where I'm going, you can't follow. What I've got to do, you can't be any part of. Ilsa, I'm no good at being noble, but it doesn't take much to see that the problems of three little people don't amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you'll understand that. Now, now... Here's looking at you kid.»

17 de junho de 2007

121. Lisboa 2007

As seis questões que atormentam a cidade.

120. Formigas

Sempre atarefadas para passarem um Inverno sossegado e para, carregadas de virtude e de restos de legumes estragados, poderem escarnecer das preguiçosas cigarras.

119. Revisão

Distributed Proofreaders: «Distributed Proofreaders provides a web-based method to ease the conversion of Public Domain books into e-books. By dividing the workload into individual pages, many volunteers can work on a book at the same time, which significantly speeds up the creation process.»

É uma bela ideia, mas eu não tenho tido vagar.

118. Minhocas

Bairro das Minhocas, Rego, Lisboa, 1938.

Fotografia de Eduardo Portugal.

117. Quarteto

A Mulher Invisível ficou triste porque o casamento com o Senhor Fantástico foi interrompido pelo Surfista Prateado. Depois o Tocha Humana foi tocado pelo Surfista e trocou de identidade com o Coisa. Trocaram outra vez e o Surfista Prateado afinal era bonzinho. Todos juntos conseguiram derrotar o Destino e o Galactus, ex-Senhor do Surfista.
~Fim~

10 de junho de 2007

116. Atenção

«Não gosto de dar nas vistas»
Abel Xavier, jogador de futebol.
Público, 10 de Junho de 2007.

115. Good Bye Lenin!

Foi dito há 100 anos mas ainda é verdade:

"Berlin is the newest city I have come across. Even Chicago would appear old and gray in comparison."

Mark Twain

7 de junho de 2007

114. Borla

A circulação de jornais gratuitos em Portugal é de 480 mil exemplares.

Fonte: Newspaper Innovation.
Foto: Pedro Correia.

113. Almirante Reis

Escrito no muro do abandonado Hospital de Arroios, na Avenida Almirante Reis, Lisboa: «Portugal a Concelho».

5 de junho de 2007

112. RCTV

No dia 27 de Maio de 2007 a Radio Caracas Televisión, fundada em 15 de Novembro de 1953, foi encerrada e substituída pela Televisora Venezolana Social.

4 de junho de 2007

111. Declaração de votos

Confesso que votei no Santana Lopes para a Câmara Municipal de Lisboa em 2001.
Confesso que votei no Carmona Rodrigues para a Câmara Municipal de Lisboa em 2005.

Confesso que talvez vá votar no António Costa para a Câmara Municipal de Lisboa em 2007.
Confesso que é a primeira vez que pondero votar no PS.

Neste momento a minha ordem de preferência é:

1. António Costa (PS)
2. Fernando Negrão (PSD)
3. Pedro Quartin Graça (MPT)
4. Carmona Rodrigues (Independente)
5. Helena Roseta (Independente)
6. Telmo Correia (CDS)
7. Gonçalo da Câmara Pereira (PPM)
8. Manuel Monteiro (PND)
12. José Sá Fernandes (BE)
12. Ruben de Carvalho (PCP+PEV)
12. Garcia Pereira (PCTP)
12. José Pinto Coelho (PNR)

31 de maio de 2007

110. Metro

Mapa de Lisboa com as linhas de metro e comboios urbanos.

109. Eleições

12 de Dezembro de 1976
Aquilino Ribeiro Machado (Partido Socialista) - 36%

16 de Dezembro de 1979
Nuno Krus Abecasis (Aliança Democrática) - 47%

12 de Dezembro de 1982
Nuno Krus Abecasis (Aliança Democrática) - 41%

15 de Dezembro de 1985
Nuno Krus Abecasis (Partido Social Democrata) - 45%

17 de Dezembro de 1989
Jorge Sampaio (Partido Socialista, Partido Comunista Português, Partido Ecologista «Os Verdes» e Movimento Democrático Português) - 49%

12 de Dezembro de 1993
Jorge Sampaio (Partido Socialista, Partido Comunista Português, Partido Ecologista «Os Verdes», Partido Socialista Revolucionário e União Democrática Popular) - 57%

14 de Dezembro de 1997
João Soares (Partido Socialista, Partido Comunista Português, Partido Ecologista «Os Verdes» e União Democrática Popular) - 52%

16 de Dezembro de 2001
Pedro Santana Lopes (Partido Social Democrata e Partido Popular Monárquico) - 42%

9 de Outubro de 2005
António Carmona Rodrigues (Partido Social Democrata) - 42%

15 de Julho de 2007
.............................................................................................................

30 de maio de 2007

108. União Nacional

Inscrições na União Nacional em % da população em 1970.

Fonte: «O Partido e o Estado no Salazarismo», Manuel Braga da Cruz, 1988.

107. Paz

Portugal é o 9º país mais pacífico do mundo:

1. Noruega
2. Nova Zelândia
3. Dinamarca
4. Irlanda
5. Japão
6. Finlândia
7. Suécia
8. Canadá
9. Portugal

Fonte: Global Peace Index

24 de maio de 2007

106. Saloios

Saloios em 1935. Fotografia de Horácio Novaes, retirado de «Lisboa Desaparecida» (volume 3), de Marina Tavares Dias.

22 de maio de 2007

20 de maio de 2007

104. Lisboa

Mapa da área urbana de Lisboa e os seus arredores. Com 2,64 milhões de habitantes e 195 freguesias.

103. Português

«A língua portuguesa não nasceu ao mesmo tempo em todo o enorme espaço que hoje ocupa, mas num pequeno território do canto noroeste da Península Ibérica, de onde se expandiu na direcção do sul. Foi seu berço a Galécia Magna (que inclui a Galiza actual, parte do norte de Portugal e o ocidente das Astúrias). Não nasceu, como pensavam Alexandre Herculano e Leite de Vasconcelos, no centro de Portugal; não nasceu na Lusitânia, mas mais a norte, num território que vai continuadamente desde a Corunha, no extremo setentrional da Galiza, até à ria de Aveiro e ao vale do rio Vouga, que nela desagua. A população nativa, galega ou portuguesa, deste território fala a mesma língua que os seus antepassados nunca deixaram de aí falar. Coisa que um lisboeta não pode orgulhar-se: um lisboeta nativo, descendente de muitas gerações de habitantes da capital ou do sul do país, fala uma língua que não é autóctone e não descende do latim aí falado no tempo do Império Romano, mas que foi transplantada a partir da Galécia Magna após a reconquista cristã. Exactamente como a língua falada no Rio de Janeiro ou em Maputo foi para aí transportada a partir de Portugal.»

In Introdução à História do Português, Ivo Castro, 2006.

102. Geek

Sou 26% geek, de acordo com o Inner Geek, descoberto no Hermeticamente Aberto. A prova disso é esta fotografia do Badaró que guardei religiosamente durante os últimos 15 anos.

101. Economia

No primeiro trimestre de 2007 a economia portuguesa atingiu o PIB por habitante mais elevado de sempre (3 774 euros). Pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2002 (o trimestre da tanga) foi quebrado o recorde.
Durante esta fase de quase cinco anos, o mínimo foi atingido no quarto trimestre de 2003, quando se caiu para o nível do segundo trimestre de 2000.

100. Cem

100, C, 百, Cem. Pelos meus cálculos deveria ter escrito isto no dia 11 de Maio.
Esta é uma maneira rápida, barata e eficaz de despachar o número cem. 百. C. 100.
Já está.

99. Fora de portas

«Outdoor education as a means of character-training evolved in modern times as an outlet for adventure which is often missing in our modern world. Outdoor training does not teach outdoor skills except in the most rudimentary way, but creates situations in which trainees can develop personally and socially.
The natural environment itself poses challenges of solitude, physical difficulty and hardship, stress, logistics and organisation. Increased mutual trust, confidence, leadership skills and team spirit are promised outcomes. The future of outdoor training is assured, provided its benefits are demonstrably transferable to the workplace and to everyday lives.
Humankind has had to meet the challenges of the outdoors for centuries. Only in recent times have we had to contrive such activities, which have ceased to be an integral part of everyone's lives. Modern life, especially in the West, scarcely satisfies the instinct for adventure, the wish to meet the tests offered by adversity and the desire to unite with others in an overarching common cause.
As with all forms of learning discussed in this article, the outdoors plays a lead role. Whether transiting from childhood to adolescence or leaping from one high rung of the job ladder to the next, the learner will find there is nothing to rival the challenges and the charms of nature.»

Esta é a definição. É possível imaginar os detalhes.

Fonte: Outdoor Insights

98. Almanach

Este é o já citado «Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o Anno de 1895». Já tenho digitalizador.

9 de maio de 2007

97. Concurso

Para quem perdeu o primeiro mês: Blogue do Quiz. Hoje começa o segundo mês.

8 de maio de 2007

96. Reiki

Hoje recebi um tratamento reiki. Foi o primeiro contacto com esta realidade e correu bem. Foi uma relaxante experiência colectiva. Seis pessoas a receber e seis pessoas a dar. Senti massagens sem ninguém me tocar. Senti calor e frio (mas começou a Primavera a sério e estou ainda meio constipado). Fiquei descontraído. Esqueci um pouco as agruras do dia a dia. Ainda estou acordado às 11 da noite. Etc. É uma experiência a repetir.
O surpreendente foi que a «dadora» de reiki ficou muito mal tratada depois de me tratar. Citando: «Nunca tinha visto nada assim. Fiquei toda transpirada. Estou exausta.» Enquanto se deitava, pálida, para recobrar os sentidos, ainda balbuciou «Nunca tinha visto nada assim...» Saí rapidamente da Ankh. E ainda não percebi se tenho algum magnetismo natural que mudou para sempre a vida daquela senhora ou se tinha apenas alguma carência momentânea de energia. Tenho de tirar isto a limpo.

95. Dizer mal

Uma das piores coisas em Portugal é estar toda a gente sempre a dizer mal. Não sei se nos outros sítios é assim, mas é muito incomodativo estar sempre a ouvir impropérios sobre o país, o governo, as instituições, as pessoas. É saudável criticar, mas é muito deprimente o deita-abaixo constante. E cá estou eu, como bom português, outra vez a dizer mal. Se bem que, tecnicamente, isto será dizer mal ou será criticar de forma saudável? Tendo em conta o meu contacto recente com as medicinas orientais, deve ser saudável. Afinal parece-me que atingi um novo patamar de espiritualidade e bem-estar com o Universo. Tocaram-me de forma profunda num chakra sensível.

7 de maio de 2007

94. França

O novo presidente francês foi eleito ontem para o período 2007-2012. A sua família tem origem na Hungria, de onde fugiu em 1944 após a chegada do Exército Vermelho. Perderam tudo, incluindo o grau nobiliárquico obtido em 1628 do rei Fernando II, curiosamente pela valentia demonstrada numa batalha contra os turcos.
O mandato começa no dia 16.
Tudo isto aprendi na Wikipédia.

93. Madeira

As esperanças revelaram-se infundadas:

1976: 59,6%
1980: 65,3%
1984: 59,8%
1988: 62,4%
1992: 56,9%
1996: 56,9%
2000: 56,0%
2004: 53,7%
2007: 64,2%

92. Escócia

A Escócia foi um estado independente até 1 de Maio de 1707:
«That the two Kingdoms of England and Scotland shall upon the First day of May which shall be in the year One thousand seven hundred and seven and for ever after be united into one Kingdom by the name of Great Britain And that the Ensigns Armorial of the said United Kingdom be such as Her Majesty shall appoint and the Crosses of St. George and St. Andrew be conjoyned in such manner as Her Majesty shall think fit and used in all Flags Banners Standards and Ensigns both at Sea and Land.»

No dia 3 de Maio de 2007 o Partido Nacionalista Escocês (Pàrtaidh Nàiseanta na h-Alba), que advoga a independência do país, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento (Pàrlamaid).

6 de maio de 2007

4 de maio de 2007

90. Divórcio

Taxa de divórcio, 2004.
Média nacional: 2,2 por mil habitantes.

Fonte: Instituto Nacional de Estatística.

89. Perfil

«You are a social liberal. Like all liberals, you believe in individual freedom as a central objective - but you believe that lack of economic opportunity, education, healthcare etc. can be just as damaging to liberty as can an oppressive state. As a result, social liberals are generally the most outspoken defenders of human rights and civil liberties, and combine this with support for a mixed economy, with an enabling state providing public services to ensure that people's social rights as well as their civil liberties are upheld.»

European Political Ideologies

1 de maio de 2007

88. PIB per capita

Taxa de variação do PIB per capita na União Europeia em 2006:


Letónia 12,6
Estónia 11,8
Eslováquia 8,2
Lituânia 8,1
Polónia 5,9
República Checa 5,7
Eslovénia 5,1
Luxemburgo 5,1
Finlândia 5,1
Hungria 4,1
Suécia 3,9
Grécia 3,8
Irlanda 3,2
Áustria 3,1
Alemanha 3,0
Dinamarca 2,8
Países Baixos 2,8
Chipre 2,5
Bélgica 2,4
Grã-Bretanha 2,3
Espanha 2,1
Malta 1,6
Itália 1,6
França 1,4
Portugal 0,9


União Europeia 2,6

Fonte: Eurostat.

28 de abril de 2007

87. Metro

Proposta de passagem pedonal entre a estação das Olaias do Metropolitano e a estação de Chelas dos comboios urbanos. Em linha recta seriam 247 metros de túnel e/ou passagem superior. Haveria ligação directa entre as linhas do Oriente, Azambuja e Sintra.
Em comparação, a ligação entre as linhas do Oriente e de Telheiras na Alameda é de 120 metros e entre as linhas da Amadora e de Odivelas no Marquês de Pombal é de 125 metros. Esta ligação seria mais longa mas aumentaria a facilidade de mudança de direcções e de integração entre as duas redes ferroviárias.

86. Terror

Não digas a ninguém: o cinema francês rendido ao ritmo da América e à música anglo-saxónica. Baseado num livro americano e com violência à americana. Fico sem saber se é sinal que a violência europeia é também cada vez mais como a violência americana. Tiros na rua, tiros na cabeça, perseguições automóveis, corrupção, pedofilia.

26 de abril de 2007

85. Jornais

O Jornal do Commercio, do Recife, é o jornal mais antigo em língua portuguesa, com circulação diária ininterrupta desde 1 de Outubro de 1827.

25 de abril de 2007

84. Assembleia Nacional

Sessão nº 55 da 1ª Sessão Legislativa da 11ª Legislatura da Assembleia Nacional, 24 de Abril de 1974, na qual estiveram presentes 114 Deputados:

«SUMÁRIO: - O Sr. Presidente declarou aberta a sessão às 16 horas e 10 minutos.
Antes da ordem do dia. - Foram postos em reclamação os n.ºs 52 e 53 do Diário das Sessões, tendo sido aprovados com rectificações.
Foi lido o expediente.
O Sr Presidente declarou estar na Mesa, para cumprimento do § 3.º do artigo 109.º da Constituição, enviado pela Presidência do Conselho, o n.º 95 do Diário do Governo, 1.ª série, de 23 do corrente mês, que insere o Decreto-Lei n.º 167/74.
O Sr Deputado Ferreira da Silva referiu-se ao incêndio do edifício da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a problemas do ensino.
O Sr. Deputado João Alves abordou problemas relativos às ligações ferroviárias da Beira.
O Sr. Deputado Constantino de Góes fez considerações a propósito das ligações fluviais do Tejo e do Sado.
O Sr. Deputado Manuel Freire usou da palavra para se referir a falta de eficiência de alguns serviços públicos.
Ordem do dia. - Procedeu-se ao debate do aviso prévio sobre a formação profissional agrícola.
Usaram da palavra os Srs Deputados Pereira do Nascimento, Castro Saraiva, Almeida Santos, Jorge de Proença e Carvalho Conceição.
O Sr. Presidente encerrou a sessão às 19 horas e 45 minutos.»


Sessão nº 56 da 1ª Sessão Legislativa da 11ª Legislatura da Assembleia Nacional, 25 de Abril de 1974:

«SUMÁRIO: - Tendo respondido à chamada 49 Sr. Deputados, número insuficiente para a Assembleia funcionar em período de antes da ordem do dia, o Sr. Presidente, depois de marcar sessão para o dia seguinte com a mesma ordem do dia, declarou encerrada a sessão às 15 horas e 43 minutos.»

Fonte: Assembleia da República

24 de abril de 2007

83. Operário

«Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.»

Vinicius de Moraes, in O Operário em Construção, Novos Poemas (II), 1959

23 de abril de 2007

82. Iéltsin

Hoje morreu Boris Iéltsin, décimo-sétimo presidente da Rússia.
1917-1917 Aleksandr Kerensky
1917-1917 Lev Kamenev
1917-1919 Yakov Sverdlov
1919-1919 Mikhail Vladimirsky
1919-1938 Mikhail Kalinin
1938-1938 Andrey Zhdanov
1938-1944 Aleksey Badayev
1944-1946 Nikolay Shvernik
1946-1950 Ivan Vlasov
1950-1959 Mikhail Tarasov
1959-1959 Nikolay Ignatov
1959-1962 Nikolay Organov
1962-1966 Nikolay Ignatov
1966-1985 Mikhail Yasnov
1985-1988 Vladimir Orlov
1988-1990 Vitaly Vorotnikov
1990-1999 Boris Yeltsin
1999- Vladimir Putin

22 de abril de 2007

81. Compras

Não esquecer de não comprar na próxima excursão ao Feira Nova: embalagem económica Bollycao, embalagem económica Kinder Délice, dois pacotes de batatas fritas Lay's Al Plato.

80. França

Oitavas eleições directas para a presidência da França:

1965 Charles de Gaulle (Union pour la Nouvelle République)
1969 Georges Pompidou (Union des Démocrates pour la République)
1974 Giscard d'Estaing (Républicains indépendents)
1981 François Mitterrand (Parti socialiste)
1988 François Mitterrand (Parti socialiste)
1995 Jacques Chirac (Rassemblement pour la République)
2002 Jacques Chirac (Union pour un mouvement populaire)
2007

Primeira volta:

1. Nicolas Sarkozy (Union pour un mouvement populaire): 30%
2. Ségolène Royal (Parti socialiste): 25%
3. François Bayrou (Union pour la démocratie française): 18%

21 de abril de 2007

79. Comuna

Paris, 1871.
Câmara Municipal, depois do fim da Comuna.

19 de abril de 2007

78. Pé Na Estrada

«So in America when the sun goes down and I sit on the old broken-down river pier watching the long, long skies over New Jersey and sense all that raw land that rolls in one unbelievable huge bulge over to the West Coast, and all that road going, all the people dreaming in the immensity of it, and in Iowa I know by now the children must be crying in the land where they let the children cry, and tonight the stars'll be out, and don't you know that God is Pooh Bear? the evening star must be drooping and shedding her sparkler dims on the prairie, which is just before the coming of complete night that blesses the earth, darkens all rivers, cups the peaks and folds the final shore in, and nobody, nobody knows what's going to happen to anybody besides the forlorn rags of growing old, I think of Dean Moriarty, I even think of Old Dean Moriarty, the father we never found, I think of Dean Moriarty.»

Jack Kerouac, On the Road, 1955

18 de abril de 2007

77. Marilyn

Marilyn Monroe in a café.
Roy Schatt, c. 1955.

17 de abril de 2007

76. Os dias

Devidamente licenciado, dirigiu-se ao automóvel estacionado na avenida. O fecho centralizado abriu com um piscar de luzes. Sentou-se no lado do passageiro e pensou. «Quanto tempo vai demorar a viagem até casa?» Saiu do carro e o fecho centralizado accionou de novo o piscar de luzes.
O leve calor do fim de tarde na Primavera sempre o consolou. Dá vontade de andar por aí, por ruas que nunca percorreu. Por bairros de vidas desconhecidas, quase misteriosas. As Senhoras Marias e os Senhores Horácios conversam à porta das mercearias. São sobreviventes dos antigos bairros. Vão ser substituídos por imigrantes ou por jovens idealistas. Habitar na cidade é um caso sério.
As subidas da cidade antiga parecem conduzir a algum lugar maravilhoso. Custa tanto a chegar... Lá em cima não é maravilhoso. É bonito, simpático, pitoresco. É histórico. Quase se ouvem as armaduras a tilintar...
E no entanto, um Renault 5 bloqueia a saída de uma garagem. A buzina ecoa pela colina. É um aviso: desce a encosta. Escadinhas e calçadas. Calçadas e escadinhas. E a avenida. O fecho centralizado. O volante e a embraiagem. O semáforo e o túnel. A via rápida e a praceta. O elevador e a aspiração central. A SIC e o despertador.

15 de abril de 2007

74. As Vidas dos Outros

«As Vidas dos Outros». A relação dos cidadãos com o Estado é sempre complicada. Na Alemanha Oriental essa relação foi levada ao extremo, com a vigilância generalizada dos potenciais subversivos. A colaboração do cidadão com o aparelho policial era obtida pela chantagem e ameaças à família e carreira. É só um filme. Muito bom, por sinal. Mas mesmo nas sociedades democráticas como a nossa é difícil estabelecer a fronteira entre o engano e a verdade, entre a imaginação e a acomodação, entre a iniciativa individual e a colaboração (na definição Stasi). A independência do indivíduo é sempre prisioneira das instituições e dos costumes. Não há nada a fazer.
A propósito, ganhei 16 euros no euromilhões.

14 de abril de 2007

73. Aldeia

A minha aldeia, com o rio Tejo, vista a 10 km de altitude:


















A minha cidade, com o rio Tejo, vista a 10 km de altitude:
















Fonte: Google Earth.

13 de abril de 2007

72. Quinhentos e sete anos em meio minuto

1 de Maio de 1500:
«Easy segujmos nosso caminho per este mar delomgo ataa terça feira doitauas de pascoa que foram xxj dias dabril que topamos alguu[n]s synaaes de tera seemdo da dita jlha [sã njcolaao] segº os pilotos deziam obra de bje lx lxx legoas. os quaaes herã mujta camtidade deruas compridas aque os mareantes chamã botelho e asy outras aque tam bem chamã rrabo dasno.
E aaquarta feira segujmte pola manhãa topamos aves aque chamã fura buchos e neeste dia aoras de bespera ouuemos vjsta de tera premeiramente dhuu[m] gramde monte muy alto. e rredondo e doutras serras mais baixas ao sul dele e de trra chaã com grandes aruoredos ao qual monte alto ocapitam pos nome omonte pascoal E aatera atera davera cruz.»

Carta de Pedro vaz caminha sobre o descobrimento da Terra nova de Vera Cruz.


13 de Abril de 2007:
«Governistas já negociam com tucanos a aprovação de uma emenda que põe fim à reeleição e amplia em um ano a duração dos mandatos no país, segundo reportagem desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.
Com o apoio do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), a proposta será apresentada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, ao conselho político de coalizão em reunião no dia 23.
De acordo com a reportagem, a questão já foi pauta de almoço entre o deputado Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA) e o governador da Bahia, o ex-ministro Jacques Wagner (PT), no sábado de Aleluia, na praia de Guarajuba (litoral norte baiano).
Jutahy teria informado que o governador defendeu a inclusão do fim da reeleição na agenda da reforma política.
Autor de emenda com esse teor, o tucano, no entanto, teria enfatizado o temor de que, com a tramitação, fosse aberta a oportunidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscar um terceiro mandato.
Segundo a reportagem, pelo projeto de Jutahy, os atuais governantes em primeiro mandato manteriam o direito à reeleição em 2010 e teriam ainda mais um ano de administração. O mesmo valeria para os prefeitos.»

Folha de São Paulo.

12 de abril de 2007

71. Oliveira

Está em muito mau estado porque diz que tem alguns séculos.

10 de abril de 2007

69. KKK

Colorado, 1926. Os maus também não resistem a um bom parque de diversões. Só que não se notam as expressões de contentamento.

9 de abril de 2007

68. Galego

«Portal Galego da Língua é o sítio na rede de toda a actualidade da língua na Galiza, e está promovido pola Associaçom Galega da Língua (AGAL), umha associaçom sem ánimo lucrativo, legalmente constituída em 1981, que visa a plena normalizaçom do Galego-Português da Galiza e a sua reintegraçom no ámbito lingüístico a que historicamente pertence: o galego-luso-brasileiro.

O Galego-Português, na Galiza denominado Galego e internacionalmente conhecido como Português, é a língua própria de Galiza, Portugal e Brasil, sendo também língua oficial em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Lorosae..., comunidade lingüística internacional conhecida como Lusofonia (também Galegofonia ou Galego-Lusofonia).»

67. Flores e abelha

7 de abril de 2007

66. Horários

O totalitário Bloco de Esquerda propôs na Assembleia da República o encerramento das grandes superfícies comerciais ao domingo (Projecto de Lei n.º 329/X/2).
«Equilibrando-se as pretensões meramente economicistas com o direito ao lazer dos trabalhadores dessas grandes superfícies, e, não menos importante, traz aos pequenos e médios comerciantes um contributo numa luta concorrencial à partida desigual, tendo estes, por via desta proposta, melhores condições para o auxílio à revitalização dos centros das nossas cidades e vilas, com tudo o que isso necessariamente significa no incremento da nossa qualidade de vida.»
Sobre o primeiro ponto (lazer dos trabalhadores), Luís Fazenda, João Semedo, Francisco Louçã, Fernando Rosas, Cecília Honório e Mariana Aiveca, decerto nunca ouviram falar do trabalho por turnos. Os serviços públicos como hospitais, forças de segurança, forças militares, etc., funcionam também aos fins de semana. E os trabalhadores desses serviços têm os seus dias de descanso, como todos os outros.
Quanto ao segundo (revitalização dos centros das «nossas» cidades e vilas), não entendo como irá ocorrer essa revitalização com o comércio encerrado. Os «pequenos e médios comerciantes» não são, infelizmente, uma dinâmica força viva das «nossas» cidades. São antes empresas «a prazo» que agonizam sem iniciativa. Encerram todos os dias às 19 horas e entre as 13 horas de sábado e as 9 horas da manhã de segunda-feira. Não entendo qual é a relação entre o funcionamento do comércio de grandes superfícies ao domingo e a sobrevivência do pequeno comércio - que está encerrado ao domingo.
A proposta do Bloco de Esquerda parece mais uma daquelas medidas que são boas para o povo, sem o povo saber. Mas qual é a necessidade de chatear o povo? Deixem-nos ir às compras ao domingo. Por favor.

6 de abril de 2007

65. Huambo

A imagem típica da guerra civil de Angola era o palácio do governo da província do Huambo completamente destruído. Hoje está assim, muito bem arranjado.
Para se ter ideia como era no pós-guerra deve visitar-se a Estalagem Gado Bravo em Vila Franca de Xira.

5 de abril de 2007

64. Carnaval

A despropósito:
«A música de Carnaval talvez seja parte dessa sessão nostalgia que a gente de repente tá sentindo. Ou tá assistindo. Talvez seja a saudade do tempo que a gente era mais inteiro, sei lá, que era mais despreocupado. O tempo em que a gente ainda achava o Carnaval uma coisa maravilhosa. Porque eu não acho mais, entende? Quer dizer, ficar suando ali, pulando por nada, não acho muito engraçado, não. Eu admiro muito as pessoas que ainda conseguem se divertir no Carnaval. Mas eu perdi a paciência que eu tinha. Tentei assistir a um desfile de escola de samba mas o desconforto era tamanho que eu realmente nesse dia passei a amar televisão, entende?
Agora uma coisa que eu acho muito bonita no Carnaval é que todas as pessoas cantam junto, entende? E ficam irmanadas assim numa corrente muito positiva de alegria e tudo. Em geral elas são muito felizes, então eu admiro o Carnaval por causa disso.
E tem umas músicas de Carnaval que realmente falam umas coisas bonitas. Umas coisas que têm a ver. Sabe, em geral são coisas muito meigas. E na época do Carnaval elas se perdem, entende? Fica aquele tumulto, aquela pulação, as pessoas suando muito, muito uísque, muito confeti, serpentina, fantasia, aqueles troço. E a gente não percebe, mas tem sempre uma coisa muito carinhosa, muito quente nas letras de Carnaval. E muito ingénuo tudo, sabe? Tudo muito puro, muito bom. Então eu gosto de cantar músicas de Carnaval por causa disso. Quer dizer, eu e várias outras pessoas porque tá todo o mundo cantando músicas de Carnaval pra burro.»

Elis Regina

4 de abril de 2007

63. Ressio

«Em outro dia estavom mui gramdes temdas armadas no ressio a çerca daquel moesteiro [Sam Domiingos], em que avia gramdes montes de pam cozido e assaz de tinas cheas de vinho, e logo prestes por que bevessem, e fora estavom ao fogo vacas emteiras em espetos a assar; e quamtos comer queriam daquella viamda, tiinhamna muito prestes e a nenhuum nom era vedada, e assi esteverom sempre em quamto durou a festa, na qual forom armados outros cavalleiros, cujos nomes nom curamos dizer.»

Fernão Lopes, Cronica do Senhor Rei Dom Pedro (14??)

3 de abril de 2007

62. Esopo

«Wolf, meeting with a Lamb astray from the fold, resolved not to lay violent hands on him, but to find some plea to justify to the Lamb the Wolf's right to eat him. He thus addressed him: "Sir, last year you grossly insulted me." "Indeed," bleated the Lamb in a mournful tone of voice, "I was not then born." Then said the Wolf, "You feed in my pasture." "No, good sir," replied the Lamb, "I have not yet tasted grass." Again said the Wolf, "You drink of my well." "No," exclaimed the Lamb, "I never yet drank water, for as yet my mother's milk is both food and drink to me." Upon which the Wolf seized him and ate him up, saying, "Well! I won't remain supperless, even though you refute every one of my imputations."
The tyrant will always find a pretext for his tyranny.»


2 de abril de 2007

61. Estrangeiros

Em 31 de Dezembro de 2006, a percentagem de cidadãos estrangeiros inscritos como eleitores em Portugal era de 0,33% (29 mil pessoas), dos quais 0,10% (9 mil) são cidadãos da União Europeia e 0,23% (20 mil) são cidadãos do Brasil, Cabo Verde, Noruega, Islândia, Uruguai, Venezuela, Chile e Argentina.
A distribuição por concelho varia entre 0% em muitas zonas do Interior Norte e mais de 2% no Algarve e Grande Lisboa.

Fonte: Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística em 31 de Dezembro de 2005 residiam legalmente em Portugal 416 mil estrangeiros.

1 de abril de 2007

60. Cafés

Não me surpreendi que o «Boulangerie et Café Français», no centro comercial do meu bairro, tenha encerrado no início deste ano. Afinal, a abertura dos portugueses (lusos e minorias étnicas - uma percentagem significativa da população do bairro) às gastronomias oferecidas por outras civilizações não é tão grande como os antigos donos daquele café supunham.
O «Capa e Batina» e «O Cantinho das Sandes», pelo contrário, continuam com o seu merecido sucesso por se adaptarem à zona em que se inserem - o galão, o mil-folhas, a sande, têm grande saída. O «Oba» (restaurante de comida rápida brasileira/italiana) está ainda numa fase de alguma indefinição: apesar de rápida não está autorizada a modalidade de «take-away».

31 de março de 2007

59. Senhor Feijão

O inepto Senhor Feijão faz os maiores disparates como espião dos serviços secretos de Sua Majestade Britânica. O ambicioso Senhor Feijão tenta mostrar que não é inepto colocando a culpa dos seus sucessivos fracassos no seu colega de trabalho, o Senhor Bough. O trapalhão Senhor Feijão gosta que pensem que é o sofisticado e sedutor Senhor Feijão. Mas é apenas o trapalhão e inepto Senhor Feijão. Os sucessos do Senhor Feijão são provocados por acasos ou pela actividade de outros. Mas o Senhor Feijão fica contente por ser ele a ficar com o mérito dos sucessos provocados por acasos ou pela actividade de outros.

Gostei do Johnny English porque, apesar de o classificar como um mau filme, tem esta figurinha ingénua, que vive num mundo que não existe. Gostei porque o mundo está cheio de Senhores Feijões que vivem impunemente as suas vidas com base em ficções, para não dizer que vivem as suas vidas com base em mentiras. A diferença para o mundo real é que muitos desses Feijões reais não são ingénuos nem vivem as suas ficções de forma inocente. Em vez disso planeiam essas ficções de forma meticulosa e maldosa, parasitando premeditadamente o trabalho e o esforço dos outros com o objectivo de se promoverem e de «subirem» na vida. Conseguem sobreviver aos seus fracassos fazendo com que a culpa desses fracassos pareça sempre alheia à sua vontade e ao seu contínuo esforço de fazer sempre o melhor. Utilizam os mecanismos mais complicados para atingirem os seus objectivos: adulam, mentem, insinuam, ignoram, sobrepõem-se, aparecem em todo o lado, desaparecem misteriosamente, sugam, sobrevivem. Infelizmente os Senhores Feijões da vida real não são assim tão simpáticos, divertidos e inofensivos como as personagens de Rowan Atkinson.

30 de março de 2007

58. Refeições a bordo

Na TAP:

«Bolos de Aniversário / Lua de Mel e Champanhe sempre que solicitado até 72 horas da partida e desde que disponível pelos serviços de catering. Mediante o pagamento do serviço, será servido bolo de aniversário e champanhe.

Excepção: Este serviço não está disponível nos voos domésticos em Portugal Continental.»

29 de março de 2007

28 de março de 2007

56. Euro milhões

Portugal vai receber 21 511 milhões de euros da União Europeia, entre 2007 e 2013. Em compensação, entre 2014 e 2020, Portugal terá de reduzir a taxa de cuspidelas no chão para 2,3 por 100 mil habitantes.

27 de março de 2007

55. Lisboa

Praça de Alvalade, 29 de Outubro de 2006.

26 de março de 2007

54. Conto Angolense - O Leão e o Fogo

Havia dois amigos: um chamado senhor Leão e outro senhor Fogo. O senhor Leão andava sempre a visitar o senhor Fogo. Um dia o senhor Leão disse ao seu amigo, senhor Fogo: - «Sou eu o unico que te visito constantemente, e tu tambem não vaes visitar-me ?!» O senhor Fogo replicou-lhe: - «O meu visitar não é bom». O seu amigo, senhor Leão, tornou-lhe: - «Pouco importa! Vae para a nossa casa visitar-me tambem». O Fogo retrucou-lhe: - «Está bem! A'manhã quando começar a soprar o vento, ahi vou.»
Quando foi fazer a visita, viram o Fogo vir a queimar as casas e as florestas; elles (o Leão e outros) não puderam fugir, para se esconderem, queimaram-se tambem no fogo, e pereceram! E' por isso que se costuma dizer: «O fogo não é boa pessoa!»

J.D. Cordeiro da Matta (Barra do Kuanza)

in Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1895

25 de março de 2007

53. Confuso

Hoje iniciou-se o horário de Verão. A hora legal portuguesa passou a ser a do meridiano de Greenwich adiantada de uma hora. Isto é, 1 hora e 36 minutos adiantada da hora solar em Lisboa. O legislador espera, com esta medida, que os trabalhadores passem a acordar às 5:23 da manhã, a almoçar às 10:23, a jantar às 6:23 da tarde e a adormecer às 9:23 da noite.
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, a hora de Verão foi aplicada em Portugal pela primeira vez no Verão de 1916. Até 1911, vigorava, no Continente, a hora do meridiano de Lisboa (meridiano de Greenwich menos 36 minutos). A partir desse ano, o fuso horário do Continente passou a ser a do meridiano de Greenwich, excepto entre 1967 e 1975 e 1993 e 1996, quando passou a ser a hora central europeia. Nos Verões de 1916 a 1921, 1924, 1926 a 1929, 1931 e 1932, e desde 1934, passou a vigorar o horário de Verão - mais uma hora face à hora de Inverno. Nos Verões de 1942 a 1945 a diferença entre o horário de Verão e de Inverno foi mesmo de 2 horas.
O horário de Verão foi inventado por William Willett em 1905 num dos seus passeios matinais a cavalo. Felizmente, a sua invenção só foi posta em prática em 1916. Desde então, as populações das zonas temperadas do globo são manipuladas anualmente com a justificação da poupança de energia. Esta explicação nunca me convenceu por completo. Não entendo porque durante uma parte do ano tenho de acordar de noite e adormecer de dia. Não entendo porque se consome menos electricidade, sendo as horas diurnas e nocturnas exactamente as mesmas.
Numa fase da minha vida tentei implementar o horário natural, correspondente ao fuso horário de Lisboa. Mesmo no Verão. No entanto, chegar ao trabalho às 10:30 (hora legal) nunca foi muito bem compreendido. Tentei combinar almoços às 2 da tarde, mas acabei sempre sozinho a comer restos no refeitório. Acabei por me render à vida proletária e a ser mais uma cobaia nesta gigantesca manipulação, durante os 7 meses do ano em que vigora a invenção do Sr. Willett.
Mas prometo que quando me libertar da prisão laboral volto ao fuso horário de Lisboa. O que me lembra que ainda não vi os resultados do euromilhões.

24 de março de 2007

52. Robbie Williams

No dia 7 de Março, Robbie Williams saiu da clínica de reabilitação onde esteve a tratar a sua dependência de medicamentos anti-depressivos. Outras estrelas pop estiveram ou estão com variados vícios: Elton John (álcool), Jim Morrison (todas as drogas e bebidas), James Taylor (heroína), Little Richard (cocaína), Serge Gainsbourg (álcool), Miles Davis (heroína), Carlos Santana (alucinogénios em geral), Billie Holiday (álcool e drogas), Janis Joplin (heroína), etc.
Quando aparecerão artistas viciados em poesia iraniana, espeleologia ou jardinagem? Enfim, em coisas bonitas.

23 de março de 2007

51. Escalpe

Nome: Phil Spector.
Naturalidade: Bronx, Nova Iorque.
Nacionalidade: Norte-americana.
Data de nascimento: 26/12/1940.
Profissão: Produtor discográfico.
Penteado: Afro-grisalho, semi-encaracolado, esférico-volumoso.
Justiça: Aguarda julgamento por homicídio.

22 de março de 2007

50. Público

Desde que mudou de imagem o «Público» tem cada vez mais frases enigmáticas: «Na Europa, só 13 por cento dos imigrantes oriundos do Mediterrâneo, do Médio Oriente e do Norte de África que se instalam têm cursos universitários. Na América do Norte, o número sobe para metade.»

21 de março de 2007

20 de março de 2007

48. Eurico da Fonseca

«Considerando que Eurico Sidónio Gouveia Xavier Lopes da Fonseca nasceu a 1 de Março de 1921 e faleceu a 4 de Dezembro de 2000, em Lisboa;
Considerando que foi especialista em astronáutica e fundador do Centro de Estudos Astronáuticos, em 1958;
Considerando que foi delegado oficial de Portugal aos congressos da Federação Internacional de Astronáutica, onde apresentou diversas comunicações: “The Dynamical Limitation of the Freedom of the Space, em Londres, 1959; “The Utilization of Artificial Planetoids in Interplanetary Flight, em Estocolmo, 1960; “The Boomerang Project” Washington, 1961;
Considerando que o “Projecto Boomerang” foi adoptado pela NASA sob a designação de HORS (Heliocentric Orbital Rendez-vous System);
Considerando que entre 1961 e 1984 foi investigador do Centro de Estudos Especiais da Armada, com a incumbência de estudar o desenho e a produção de foguetes;
Considerando que a partir de 1978 iniciou uma fase de pesquisa mais restrita sobre o aproveitamento de fontes renováveis de energia tendo sido fundador e primeiro vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar e membro do Conselho Científico da conferência de Miami sobre as Fontes Renováveis de Energia;
Considerando que colaborou assiduamente em jornais, revistas, rádio e televisão, tendo sido responsável pelo programa “5ª Dimensão” na RTP;
Considerando que publicou diversas obras como: “História Breve da Astronáutica”, “A Conquista do Espaço”, “A Sociedade do Futuro – Tecnologia para Um Mundo Novo”, “Energias Renováveis” e “Segredos do Windows 95”;
Considerando que em 1985 foi galardoado com o Prémio Einstein de divulgação científica;
Considerando que a Comissão Municipal de Toponímia, em sua reunião de 2004.07.07, emitiu parecer favorável à consagração do nome de Eurico da Fonseca na Toponímia de Lisboa, designando, para o efeito o Impasse A + Impasse B à Rua do Chibuto; Considerando, finalmente, que a Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais, consultada ao abrigo do disposto no art. 1º da Postura Municipal sobre Toponímia e Numeração de Polícia, manifestou a sua total concordância:
Tenho a honra de propor que a Câmara delibere:
Atribuir ao Impasse A + Impasse B à Rua do Chibuto, de acordo com o disposto na alínea v) do n.º 1 do art.º 64 do Decreto-Lei 169/99, de 28 de Setembro de 1999, o seguinte topónimo:

RUA EURICO DA FONSECA
DIVULGADOR CIENTÍFICO
1921-2000

Paços do Concelho de Lisboa, em 2 de Novembro de 2004
A Vereadora
Ana Sofia Bettencourt»

Proposta n.º 858/2004, à Câmara Municipal de Lisboa.
Não apurei se foi aprovada.

19 de março de 2007

47. Aquário

Pode parecer uma obsessão, mas não é. Descobri que o chão da marisqueira chinesa do meu bairro é, na verdade, um gigantesco aquário. Aquilo que era até agora apenas um leve interesse numa marisqueira chinesa, tornou-se quase um objectivo de vida: um dia tenho de jantar em cima de um aquário.

18 de março de 2007

46. Estações

Esta semana começa a Primavera. É o tempo dos passarinhos, das borboletas e das flores. E vai prolongar-se, como é costume, até ao Verão. É um tempo bonito.
Perspectiva amarga: as pessoas já andam desvairadas. Um raio de sol e a temperatura nos 20 graus e começa a haver o trânsito infernal para as praias. Os óculos escuros boçais reaparecem. É quase uma obrigação, o desfrutar da estiagem. A excitação que o calor provoca no povo leva aos comportamentos mais estranhos, como os passeios no campo.
Com a Primavera recomeça também o mini-PREC (Processo Revolucionário Em Curso) anual. O mês de Abril é um crescendo de revivalismo que culmina nas manifestações do Primeiro de Maio. As coisas acalmam com as marchas forçadas para Fátima até ao dia 13 e com uma ou outra comemoração reaccionária no 28 de Maio. Mas a excitação revolucionária volta a aquecer com a Feira do Livro, talvez equilibrada com as noivas de Santo António.
Em Julho, finalmente, a multidão desaparece até à reentrada de Setembro. O Outono é sempre uma temporada mais honesta, de reorganização, de recomeço, de algum trabalho. E depois o reconfortante Inverno. E a inquieta Primavera outra vez.
Enfim. O importante é haver saúde.

17 de março de 2007

45. Facas

Se eu não fosse um mau fisionomista poderia jurar que hoje estive sentado no metro ao lado deste homem. Na linha verde, claro.

16 de março de 2007

44. Camões

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, em mim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.»

Luís de Camões

E só fiz um número no euromilhões.

15 de março de 2007

43. Centro-esquerda

Fiquei surpreendido, mas sou eu, de acordo com o World's Smallest Political Quiz.

14 de março de 2007

42. Nova Iorque

«There are roughly three New Yorks. There is, first, the New York of the man or woman who was born here, who takes the city for granted and accepts its size and its turbulence as natural and inevitable. Second, there is the New York of the commuter - the city that is devoured by locusts each day and spat out each night. Third, there is the New York of the person who was born somewhere else and came to New York in quest of something. Of these three trembling cities the greatest is the last - the city of final destination, the city that is a goal. It is this third city that accounts for New York's high-strung disposition, its poetical deportment, its dedication to the arts, and its incomparable achievements. Commuters give the city its tidal restlessness; natives give it solidity and continuity; but the settlers give it passion. And whether it is a farmer arriving from Italy to set up a small grocery store in a slum, or a young girl arriving from a small town in Mississippi to escape the indignity of being observed by their neighbors, or a boy arriving from the Corn Belt with a manuscript in his suitcase and a pain in his heart, it makes no difference: each embraces New York with the intense excitement of first love, each absorbs New York with the fresh eyes of an adventurer, each generates heat and light to dwarf the Consolidated Edison Company.»

E.B. White in «Here is New York» (1949).

12 de março de 2007

40. Sócrates

Hoje cumprem-se dois anos do Governo chefiado por José Sócrates, actualmente em vigésimo lugar na lista dos Presidentes do Conselho de Ministros (1834-1974) e Primeiros-Ministros (desde 1974) com maior número de dias no cargo:

1. António de Oliveira Salazar (1932-1968; União Nacional) - 13 231 dias;
2. Fontes Pereira de Melo (1871-1877, 1878-1879, 1881-1886; Partido Regenerador) - 4 044 dias;
3. Aníbal Cavaco Silva (1985-1995; Partido Social Democrata) - 3 645 dias;
4. Luciano de Castro (1886-1890, 1897-1900, 1904-1906; Partido Progressista) - 3 210 dias;
5. Duque de Saldanha (1835, 1846-1849, 1851-1856, 1870; Partido Regenerador) - 3 127 dias;
6. Hintze Ribeiro (1893-1897, 1900-1904, 1906; Partido Regenerador) - 3 052 dias;
7. Duque de Loulé (1856-1859, 1860-1865, 1869-1870; Partido Progressista Histórico) - 3 042 dias;
8. António Guterres (1995-2002; Partido Socialista) - 2 350 dias;
9. Duque da Terceira (1836, 1842-1846, 1851, 1859-1860; Partido Regenerador) - 2 121 dias;
10. Marcelo Caetano (1968-1974; Acção Nacional Popular) - 2 038 dias;
11. Mário Soares (1976-1978, 1983-1985; Partido Socialista) - 1 647 dias;
12. Marquês de Sá da Bandeira (1836-1837, 1837-1839, 1865, 1868-1869, 1870; Partido Reformista) - 1 410 dias;
13. Joaquim António de Aguiar (1841-1842, 1860, 1865-1868; Partido Regenerador) - 1 129 dias;
14. Afonso Costa (1913-1914, 1915-1916, 1917; Partido Republicano) - 1 102 dias;
15. Domingos Oliveira (1930-1932; Ditadura Militar) - 896 dias;
16. Pinto Balsemão (1981-1983; Partido Social Democrata) - 881 dias;
17. António Maria da Silva (1920, 1922-1923, 1925, 1925-1926; Partido Republicano) - 863 dias;
18. Duque de Ávila (1868, 1870-1871, 1877-1878; Partido Reformista) - 845 dias;
19. Durão Barroso (2002-2004; Partido Social Democrata) - 833 dias;
20. José Sócrates (desde 2005; Partido Socialista) - 730 dias, no segundo aniversário.

Em média, as 85 pessoas que ocuparam este cargo governaram o país durante 778 dias.

Fonte: Centro de Estudos do Pensamento Político.

11 de março de 2007

39. Liberdade

A Freedom House publicou mais uma vez o índice de liberdade política. Portugal obteve em 2006, pelo 16º ano consecutivo, o melhor valor (1) da escala entre 1 e 7. Os 49 países com esta classificação representam 13% da população mundial. Os 21 países com 16 ou mais anos consecutivos com o nível máximo de liberdade política representam 6,5% da humanidade: Noruega, Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Países Baixos, Islândia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Suíça, Suécia, Luxemburgo, São Marino, Barbados, Tuvalu, Finlândia, Chipre, Ilhas Marshall, Liechtenstein, Malta e Portugal.
No extremo oposto os países com regimes mais repressivos (índice 7): Coreia do Norte, Birmânia, Somália, Cuba, Líbia, Turcomenistão, Sudão e Uzbequistão.

10 de março de 2007

38. Dr. Estranho Amor

«[the President calls the Soviet Premier]
President Merkin Muffley: [to Kissoff] Hello?... Uh... Hello D- uh hello Dmitri? Listen uh uh I can't hear too well. Do you suppose you could turn the music down just a little?... Oh-ho, that's much better... yeah... huh... yes... Fine, I can hear you now, Dmitri... Clear and plain and coming through fine... I'm coming through fine, too, eh?... Good, then... well, then, as you say, we're both coming through fine... Good... Well, it's good that you're fine and... and I'm fine... I agree with you, it's great to be fine... a-ha-ha-ha-ha... Now then, Dmitri, you know how we've always talked about the possibility of something going wrong with the Bomb... The *Bomb*, Dmitri... The *hydrogen* bomb!... Well now, what happened is... ahm... one of our base commanders, he had a sort of... well, he went a little funny in the head... you know... just a little... funny. And, ah... he went and did a silly thing... Well, I'll tell you what he did. He ordered his planes... to attack your country... Ah... Well, let me finish, Dmitri... Let me finish, Dmitri... Well listen, how do you think I feel about it?... Can you *imagine* how I feel about it, Dmitri?... Why do you think I'm calling you? Just to say hello?... *Of course* I like to speak to you!... *Of course* I like to say hello!... Not now, but anytime, Dmitri. I'm just calling up to tell you something terrible has happened... It's a *friendly* call. Of course it's a friendly call... Listen, if it wasn't friendly... you probably wouldn't have even got it... They will *not* reach their targets for at least another hour... I am... I am positive, Dmitri... Listen, I've been all over this with your ambassador. It is not a trick... Well, I'll tell you. We'd like to give your air staff a complete run-down on the targets, the flight plans, and the defensive systems of the planes... Yes! I mean i-i-i-if we're unable to recall the planes, then... I'd say that, ah... well, ah... we're just gonna have to help you destroy them, Dmitri... I know they're our boys... All right, well listen now. Who should we call?... *Who* should we call, Dmitri? The... wha-whe, the People... you, sorry, you faded away there... The People's Central Air Defense Headquarters... Where is that, Dmitri?... In Omsk... Right... Yes... Oh, you'll call them first, will you?... Uh-huh... Listen, do you happen to have the phone number on you, Dmitri?... Whe-ah, what? I see, just ask for Omsk information... Ah-ah-eh-uhm-hm... I'm sorry, too, Dmitri... I'm very sorry... *All right*, you're sorrier than I am, but I am as sorry as well... I am as sorry as you are, Dmitri! Don't say that you're more sorry than I am, because I'm capable of being just as sorry as you are... So we're both sorry, all right?... All right.»

Stanley Kubrick, Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

9 de março de 2007

37. Hambúrguer

Novo recorde mundial: hambúrguer de 55,91 kg. Pôde ser comido no Denny's Beer Barrel Pub, na vila de Clearfield, na Pensilvânia. Não está normalmente à venda. No entanto, no âmbito do seu «Burger Challenge», o restaurante serve o Beer Burger Belly Bruiser (23kg), por $179,95. «Delivered to any location». Hum...

8 de março de 2007

36. Rendimentos

A declaração de rendimentos é algo de muito aborrecido. Acho que a Direcção-Geral de Impostos deveria levar mais a sério as minhas sugestões do ano passado: os campos numéricos de preenchimento obrigatório deveriam ser intercalados com questões qualitativas, como as seguintes:
- número de infracções ao trânsito (a adicionar ao rendimento);
- número de dias em que se disse bom dia no elevador (a deduzir ao rendimento);
- descobrir erros ortográficos num texto (a deduzir à colecta por erro descoberto);
- cores favoritas (neutro, a menos que seja o carmim);
- número de actos eleitorais em que participou como eleitor (deduzir);
- qual o livro que está a ler neste momento (neutral);
- qual o concerto ao vivo em que se divertiu mais (neutral);
- pensa muitas vezes em como poderia ter sido mais feliz na sua infância (abater à colecta);
- sequência de imagens para adivinhar (abater se certo);
- qual a capital do Mali (abater se certo);
- referir três serras portuguesas (abater número de serras certas);
- pequena composição de uma página sobre tema à escolha (a deduzir de acordo com avaliação por comissão de peritos);
- contribuir com um provérbio, canção popular ou artigo artesanal para o espólio de arte popular (a deduzir);
- etc.

Em alternativa, ou em acumulação, a declaração electrónica poderia ser apresentada sob a forma de blogue, com artigos, imagens ou ficheiros media de interesse geral entre os campos numéricos de preenchimento obrigatório.

Acho que a declaração de rendimentos pode, e deve, ser uma tarefa divertida e de intensa interacção cívica.

7 de março de 2007

35. Grande Muralha

Fui informado pelo Great Firewall of China que este blogue foi bloqueado pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China. Bem sei, a China outra vez. Mas afinal são 20% da humanidade.
Apesar desta censura, e dado que os chineses são os mestres da contrafacção, 3% dos visitantes deste blogue são residentes na China. Provavelmente são membros do Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China.
De certa forma é reconfortante ser finalmente vítima da censura. Posso enfim comover-me com os discursos e poemas do Manuel Alegre.
A investigação que se seguiu ao choque inicial provocado por esta revelação, informou-me que:
i) a República Popular da China tem uma Constituição, aprovada em 1982, com o seguinte artigo 35.º: «Os cidadãos da República Popular da China gozam de liberdade de expressão, imprensa, reunião, associação e manifestação». No entanto, «a República Popular da China é um estado socialista sob a ditadura democrática do povo ...» (artigo 1.º).
ii) Mao Tse-Tung, o pai do actual regime chinês, teve o seu primeiro emprego em 1919, como assistente de bibliotecário na Universidade de Pequim. Não sei que espólio bibliográfico haveria nessa época na biblioteca da Universidade de Pequim, mas o resultado é que, em 2007, este blogue foi bloqueado pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da República Popular da China.
Tudo isto me incomoda, embora não saiba o interesse que as coisas que se escrevem aqui possam ter para aqueles 20% da humanidade. Ou mesmo para os 4% da humanidade que conseguem ler isto.

6 de março de 2007

34. Meia-noite e trinta

É o problema dos trinta. Mais ou menos como a equivalência de idade entre humanos e caninos. A partir das dez da noite cada minuto para alguém com 20 anos é equivalente a cerca de 2 minutos para alguém com 30. Assim, esta hora (00:30) para um vintão é equivalente a 03:00 para um trintão.
Por isso, limito-me a repetir que «...a mentira só no outro se torna imoralidade como tal. Toma este por estúpido e serve de expressão à irresponsabilidade. Entre os insidiosos práticos de hoje, a mentira já há muito perdeu a sua honrosa função de enganar acerca do real. Ninguém acredita em ninguém, todos sabem a resposta. Mente-se só para dar a entender ao outro que a alguém nada nele importa, que dele não se necessita, que lhe é indiferente o que ele pensa acerca de alguém. A mentira, que foi outrora um meio liberal de comunicação, transformou-se hoje numa das técnicas da insolência, graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza, e sob cuja protecção pode prosperar.» (Theodor Adorno, retirado do Citador).
Nunca tinha ouvido falar neste filósofo alemão. Mas esta citação pareceu-me muito adequada ao buliçoso dia-a-dia num edifício de escritórios de uma grande metrópole moderna.

5 de março de 2007

33. Santa Comba Dão

«Fascismo nunca mais!» => Museu Salazar.

4 de março de 2007

32. Resistência

«O Exército das Sombras» é um filme de 1969, realizado por Jean-Pierre Melville. Passa-se na França em 1942: um grupo de homens e uma mulher combatem, na sombra, os alemães. Não há grande combate, na realidade. Esperava encontrar grandes sabotagens a movimentos de tropas, explosão de pontes, atentados contra responsáveis nazis, etc. Mas não. O filme relata as relações - de fidelidade ou traição - dos membros da resistência.
Acho que perdi algum do fascínio que sentia sobre a resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial: em vez das boinas bascas, havia apenas chapéus de gangster e gabardinas.
Sempre que vejo filmes de guerra relatados pela parte vencedora penso na veracidade da personalidade dos vencidos. Os alemães são sempre retratados como sanguinários, sádicos, indiferentes ao sofrimento alheio. Interrogo-me se é possível. Não haveria nenhum alemão bonzinho que pestanejasse ao premir o gatilho ou ao accionar as câmaras de gás? Nenhum que esboçasse um sorriso enquanto um francês dinamitava um quartel nazi? Os risos que se vêem nos alemães são as gargalhadas loucas dos soldados que atiram granadas para dentro de uma escola primária. Não sei como a união monetária consegue sobreviver a isto.
A única actriz do filme é Simone Signoret. É uma activa terrorista. Planeia minuciosamente as acções da sua célula da resistência. Disfarça-se de enfermeira ou de camponesa cossaca e entra em acção militar. No momento seguinte é apenas mais uma cinzenta transeunte numa cidade enevoada e vazia.

3 de março de 2007

31. Lincoln

«If this is coffee, please bring me some tea; but if this is tea, please bring me some coffee.»
Abraham Lincoln

O que neste caso quer dizer que ontem adormeci outra vez a ver televisão («A Síndroma da China», RTP Memória, 10:05 PM) . Felizmente ainda tive tempo de ver a parte que me permitiu finalmente perceber o que seria a síndroma da China (a China mais uma vez). Essa explicação está de certa forma ilustrada pela imagem anexa (sim, seria um buraco na Terra entre a América e a China [a China mais uma vez], provocado por um desastre numa central nuclear). Um muito obrigado ao serviço público de televisão e à RTP Memória em particular.

2 de março de 2007

30. Discurso

«In the long history of the world, only a few generations have been granted the role of defending freedom in its hour of maximum danger. I do not shrink from this responsibility - I welcome it. I do not believe that any of us would exchange places with any other people or any other generation. The energy, the faith, the devotion which we bring to this endeavor will light our country and all who serve it. And the glow from that fire can truly light the world.
And so, my fellow Americans, ask not what your country can do for you; ask what you can do for your country.
My fellow citizens of the world, ask not what America will do for you, but what together we can do for the freedom of man.»

John F. Kennedy, 20 de Janeiro de 1961

1 de março de 2007

29. Disfarce

Não fiquei surpreendido ao verificar que hoje o meu Volkswagen se tinha disfarçado de arbusto. Afinal, ele sempre teve um sentido de humor muito especial. O que achei estranho foi encontrar-lhe o proibido «Trópico de Câncer» na mesa de cabeceira.
Vou pensar que é apenas uma fase, antes de o levar à oficina para automóveis sobredotados. Entretanto já lhe referi, em passagem, que o Governo oferece 240 contos por carros com mais de 15 anos.