14 de julho de 2008

295. Cidade

294. Ouvido no elevador

- Mais uma semana...
- Pois é.
- Vai para onde?
- Mais para baixo não dá.
- Ah.
- Quarto.
- Quarto escuro? Ah ah ah.
- Minguante.
- Hum.
- E com este tempo então...
- O quê? Este calor. Só na praia.
- Até logo.

13 de julho de 2008

293. Hendrix

Em Nova Iorque, 1969.

292. A Bíblia em números

«Se alguém prometer ao Senhor, por voto, o valor equivalente a uma pessoa, o seu valor estimativo será o seguinte:

Homem:
até 5 anos: 5 siclos de prata
5 a 20 anos: 20
20 a 60: 50
mais de 60: 15

Mulher:
até 5 anos: 3 siclos de prata
5 a 20 anos: 10
20 a 60: 30
mais de 60: 10»

Levítico, 27.

12 de julho de 2008

291. Comida

Propaganda da I Guerra Mundial.

290. Pegada

A minha pegada ecológica mede 45.29 hectares, segundo Redefining Progress. São 5.14 de campos de cultivo, 11.12 de pastagens, 11.84 de mar e 15.07 de florestas. Isto é, se todos fossem como eu a Terra tinha de ser 2,88 maior do que é. Obrigado.

10 de julho de 2008

289. Desemprego


População desempregada em Maio de 2008: 390 mil.

288. Petróleo

O Edifício Chrysler, um dos símbolos de Nova Iorque, o edifício mais alto do mundo durante 364 dias em 1930-1931, foi comprado pelo Abu Dhabi Investment Council por cerca de 5.7 milhões de barris de petróleo.

9 de julho de 2008

287. Nova Iorque

Acidente no metro de Nova Iorque, 1905.

Forgotten New York.

286. Economia

Variação do PIB por habitante na União Europeia em 2007:

Letónia: + 10.9%
Eslováquia: +10.2%
Lituânia: +9.4%
...
União Europeia: + 2.4%
...
Espanha: + 2.1%
...
Portugal: +1.6%
...
França: +1.3%
Dinamarca: +1.2%
Itália: 1.1%

8 de julho de 2008

285. Super-homem e Lois Lane

284. Férias

«I do not think much of the Mosque of St. Sophia. I suppose I lack appreciation. We will let it go at that. It is the rustiest old barn in heathendom. I believe all the interest that attaches to it comes from the fact that it was built for a Christian church and then turned into a mosque, without much alteration, by the Mohammedan conquerors of the land. They made me take off my boots and walk into the place in my stocking-feet. I caught cold, and got myself so stuck up with a complication of gums, slime and general corruption, that I wore out more than two thousand pair of boot-jacks getting my boots off that night, and even then some Christian hide peeled off with them. I abate not a single boot-jack.

St. Sophia is a colossal church, thirteen or fourteen hundred years old, and unsightly enough to be very, very much older. Its immense dome is said to be more wonderful than St. Peter's, but its dirt is much more wonderful than its dome, though they never mention it. »

in Innocents Abroad, Mark Twain (1869)

7 de julho de 2008

283. Citrino

Nunca é demais: Festa do Citrino em Menton.

282. Incêndios

75 Worldwide Centers of Commerce

1 Londres
2 Nova Iorque
3 Tóquio
...
46 Lisboa (inc. Ressio)
...
56 São Paulo
...
64 Istambul
65 Rio de Janeiro

6 de julho de 2008

281. Graffiti

Graffiti feitos de lego.

Ao que parece, em Itália por um grupo auto-denominado «20 eventi».

280. Trabalho

Sim, é domingo, mas é interessante este contraponto aos livros de aeroporto sobre a gestão de recursos humanos em 128 páginas:

10 Ways to Make Your Employees Love You.

279. Óculos escuros

278. Dizeres

Na Gulbenkian I: «É pena não existirem mais jardins como este em Lisboa.»
Na Praça da Figueira: «Estes bichos são piores que ratos. São ratos com asas.»
Nos Restauradores: «Tu vais para a fila da luz e eu vou tirar o tiquê para a carta.»
Na Gulbenkian II: «Teve que ser um estrangeiro a fazer isto cá...»
Em Alfragide: «Tu vai para a caixa que eu vou só buscar uma embalagem de skip.»

277. Wondermark

5 de julho de 2008

276. Aquela clara madrugada

«Aquela clara madrugada que
viu lágrimas correrem no teu rosto
e alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
meu nome no teu nome. E demorados
viu nossos olhos juntos nos segredos
que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti.
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
que fez tão triste a clara madrugada.»

Manuel Alegre

4 de julho de 2008

275. Louvre

«Au musée du Louvre»
Alécio de Andrade, 1970.

274. A Sibila

«E então a vida, não na sua particularidade e recordação, mas a pesada e quente vitalidade das suas veias, do seu sangue e tecidos conjugados num cumprir rítmico, porém imperceptível, ela compreendia-a como alguma coisa totalmente alheia de si, indiferente a si, inumana - diria.»

Agustina Bessa-Luís, 1953

2 de julho de 2008

273. Presidente

272. Férias

«On Troy's last day, alas, the populous
Shrines held carnival, and girls and boys
Flung garlands to the wooden horse; so we
Burrow into the lion's mouth to die.
Lord, from the lust and dust thy will destroys
Raise an unblemished Adam who will see
The limbs of the tormented chestnut tree
Tingle, and hear the March-winds lift and cry:
"The Lord of Hosts will overshadow us."»

Robert Lowell, 1946.

1 de julho de 2008

271. Cavaco

«President of Portugal, Cavaco Silva, and his wife, Maria Cavaco Silva, watched a 3D film at the Volcano Centre of São Vicente during their official visit to Madeira last week.»

in Get Real, 22.IV.2008

270. Tortura

É oficial: Meat Loaf é um instrumento de tortura. Ver aqui a sua utilização na prisão de Guantânamo.

15 de junho de 2008

269. Lisboa

Em 2007 a cidade de Lisboa tem a mesma população que tinha em 1921, cerca de 500 mil habitantes. Uma diminuição de 307 mil em relação ao máximo de 1981. Para tornar ainda mais sensacionalista: menos 32 habitantes por dia.

9 de junho de 2008

268. Tribo

Foi descoberta na Amazónia lusófona uma tribo até agora desconhecida, sem contacto com a nossa civilização. Para além da óbvia necessidade de instalação da junta de freguesia na povoação urge também verificar se os indivíduos estão devidamente recenseados junto da repartição de finanças, atribuir um cartão do serviço nacional de saúde e abrir um ramal de ligação ao itinerário complementar mais próximo.

27 de maio de 2008

266. Santa Apolónia

«O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), defendeu hoje que a hipótese de encerrar o ramal ferroviário da Estação de Santa Apolónia deve ser equacionada no contexto de expansão da Gare do Oriente.»

Público, 18.IV.2008

Penso que é o contributo da Câmara Municipal de Lisboa para a melhoria da rede de transportes públicos, redução da poluição e do consumo de combustíveis e melhoria da mobilidade.

265. Lorre

25 de maio de 2008

264. Vida animal

A mosca rodeia-nos com o seu zumbido. Não sei se vem de longe. Não sei o raio de acção de uma mosca. É possível que venha contaminar-nos com as patitas sujas de algo em decomposição em Islamabade. Não sei existe algo como a famosa mosca playboy internacional. Passa os invernos na riviera maia e volta para passar a primavera no vale do Tejo. Esta deve estar a voltar de férias. Tem um zumbido enérgico e ansioso.
Tinha. Não suporto estes animais.

263. Era o Dubai

13 de maio de 2008

262. Ouvido no metro

Homem com cão ao colo:
«Quem é o mais lindo? Quem é? Quem é que vai com o papá Paulo ter com o papá Luís à loja? O papá Luís tá a trabalhar. A tabalhare muito para ganhar comidinha para o menino. Quem é o cachorrinho mais lindo?»
Cão ao colo de homem:
«Grrrrrrr»

261. Verde ou amarelo

Quando se tenta algo diferente, mais moderno, mais rápido, mais primaveril, logo os espíritos atávicos nos bloqueiam e obrigam a abrandar. Voltamos ao velho amarelo, portanto.

3 de maio de 2008

260. Londres

«Civilization has increased man's producing power an hundred-fold, and through mismanagement the men of Civilization live worse than beasts, and have less to eat and wear and protect them from the elements than the savage Inuit in a frigid climate who lives today as he lived in the stone age ten thousand years ago.»

Jack London, The People of the Abyss, 1903

259. Ortografias

«On the Road» é «Pé na Estrada» no Brasil e «Pela Estrada Fora» em Portugal.

258. Na província

Agora tudo é possível. Agora nada vai ser como dantes. A Internet está na província. Do café do Quim ao mini-mercado Lalita. Da Paróquia da Carrapateira à Biblioteca Itinerante das Várzeas. Está tudo ligado à Papua Ocidental, às ilhas Tuvalu e ao cantão de Schwiz.

12 de abril de 2008

257. Obama

A nossa tão esperada indicação de voto: Obama. Não sei porquê. Talvez seja o mais desconcertante. Mas se a França tem um presidente húngaro e Portugal um presidente algarvio, porque não um presidente queniano na América?

256. Ensino

«O "25 de Novembro" protagonizou o fim da liderança política da classe laboral e a retoma da iniciativa política e do poder económico pela classe burguesa.»

Maria da Luz Oliveira, Maria João Pais e Belmiro Gil Cabrito, in Economia Portuguesa - 11.º Ano, 1986.

15 de março de 2008

255. Grace e Alfred

tomam um chazito no chão.

254. Páscoa

Nas férias da Páscoa:

- Gostava de pedir uma certidão de habilitações.
- Gostava de acabar «Os Devoristas».
- Gostava de dar um mergulho em águas tépidas.
- Gostava de experimentar caras de bacalhau.
- Gostava de conhecer o mundo via web-cam.
- Gostava de ter férias da Páscoa.

9 de março de 2008

253. Hopper

252. Lisboa

A desertificação continua:

Número de eleitores inscritos no concelho de Lisboa em 1988: 683 072.
Número de eleitores inscritos no concelho de Lisboa em 2007: 517 138.

Número de eleitores inscritos na freguesia de Santa Justa em 1988: 1 892.
Número de eleitores inscritos na freguesia de Santa Justa em 2007: 726.


Fonte: Ministério da Administração Interna.

2 de março de 2008

251. Fase

250. Foca

«Uma foca bebé está há duas semanas no parque Zoomarine a recuperar de feridas provocadas por agressões de populares na praia da Areia Branca, próximo de Peniche.»

Público, 6 de Fevereiro de 2008

1 de março de 2008

249. Equilíbrio

248. Flushed from the Bathroom of Your Heart

From the backdoor of your life you swept me out dear
In the bread line of your dreams I lost my place
At the table of your love I got the brush off
At the Indianapolis of your heart I lost the race

I’ve been washed down the sink of your conscience
In the theater of your love I lost my part
And now you say you’ve got me out of your conscience
I’ve been flushed from the bathroom of your heart

In the garbage disposal of you dreams I’ve been ground up dear
On the river of your plans I’m up the creek
Up the elevator of your future I’ve been shafted
On the calendar of your events I’m last week

I’ve been washed down the sink of your conscience
In the theater of your love I lost my part
And now you say you’ve got me out of your conscience
I’ve been flushed from the bathroom of your heart

Jack Clement, 1968.
Cantado por Johnny Cash

27 de fevereiro de 2008

247. Conformista

246. Merenda

O Emir estava a dormir uma sesta quando de repente o seu tigre siberiano - o Nejed - lhe lambeu a bochecha. Já eram horas de merendar. O tigre e o Emir, deitados na sua marquesa de bambu bebem agora o seu leite de camela mugida por doze faquires. Ah, e umas seis bolachinhas oreo. Para o Emir, claro. O Nejed prefere sempre os seus sete camarões fritos em óleo de palma. Molhados no leite são um petisco. Refastelam-se os dois a ver a Oprah. O Emir comenta o que se passa e faz zapping nos intervalos. Boceja-se, riem-se da Al-Jazeerah, meneiam os ombros com um bom ragga. É a hora da merenda. Mais devagar com o leque, Maria, está a fazer-nos frio.

26 de fevereiro de 2008

245. América

Quero ir à América.

«Don't Fence Me In

Wildcat Kelley, lookin' mighty pale,
Was standin' by the sherrif's side
And when the sherrif said "I'm sendin you to jail,
Wildcat raised his head and cried

Oh, give me land, lots of land under starry skies above,
Don't fence me in.
Let me ride through the wide open country that I love,
Don't fence me in.
Let me be by myself in the evenin' breeze,
listen to the murmur of the cottonwood trees,
Send me off forever but I ask you please,
Don't fence me in.

Just turn me loose, let me straddle my old saddle
Underneath the western skies.
On my Cayuse, let me wander over yonder
Till I see the mountains rise.

I want to ride to the ridge where the west commences
gaze at the moon till I lose my senses
I can't look at hobbles and I can't stand fences
Don't fence me in.

Wildcat Kelley, back again in town,
was standin by his sweethearts side,
And when his sweetheart said "come on let's settle down",
Wildcat raised his head and cried

Oh, give me land, lots of land under starry skies,
Don't fence me in.
Let me ride through the wide open country that I love,
Don't fence me in.
Let me be by myself in the evenin' breeze
listen to the murmur of the cottonwood trees
Send me off forever but I ask you please,
Don't fence me in

Just turn me loose, let me straddle my old saddle
Underneath the western skies
On my Cayuse, let me wander over yonder
Till I see the mountains rise.

I want to ride to the ridge where the west commences
gaze at the moon till I lose my senses
I can't look at hobbles and I can't stand fences
Don't..... fence me in.»

Robert Fletcher, 1934

244. Búfalo

«E ali estava agora sentada, quieta no casaco marrom. O banco ainda parado, a maquinaria da montanha-russa ainda parada. Separada de todos no seu banco parecia estar sentada numa igreja. Os olhos baixos viam o chão entre os trilhos. O chão onde simplesmente por amor - amor, amor, não o amor! - onde por puro amor nasciam entre os trilhos ervas de um verde tão leve tão tonto que a fez desviar os olhos em suplício de tentação. A brisa arrepiou-lhe os cabelos da nuca, ela estremeceu recusando, em tentação recusando, sempre tão mais fácil matar.»

Clarice Lispector, Laços de Família, 1960.

25 de fevereiro de 2008

243. Desenho

242. Corrente

Apesar de o fenómeno da corrente ser um pouco pequeno-burguês, as obrigações sociais levam-me a destacar as seguintes doze palavras:

1. Malaposta: mistura culinária e viagens.
2. Estiagem: quente e seca.
3. Lamiré: só para causar inveja.
4. Blaterar: um tom de voz muito utilizado.
5. Marasmo: é o dia-a-dia.
6. Frémito: em honra do século XIX.
7. Vinheta: estranho não estar relacionado com bebida.
8. Balconista: podia ser um membro de corrente política, mas não é.
9. Armilar: gosto do som quase italiano que pode ser feito com o l.
10. Acrescento: assusta-me o som sibilante que pode ser feito com o sc.
11. Inócuo: som oco.
12. Petulante: sim, esgotei as ideias.

Agora é para passar isto a cinco blogues:
Bloguices da Marquesa
Ler por aí

Fada Moranga
Ana às Voltas
E, não, não conheço mais ninguém.

241. Hitch

240. Abajur

Novo blogue: Abat-Jour.

19 de fevereiro de 2008

18 de fevereiro de 2008

238. Clarice Lispector

«- Se você não pudesse mais escrever, você morreria?
- Eu acho que quando não escrevo eu estou morta.»

«- Eu me compreendo. De modo que eu não sou hermética para mim. Bom, tem um conto meu que eu não compreendo muito bem.
- Que conto?
- O ovo e a galinha.
- Entre os seus diversos trabalhos sempre existe, isso é natural, um filho predilecto. Qual é aquele que você vê com maior carinho até hoje?
- O ovo e a galinha, que é um mistério para mim.»

«- No seu entender, qual é o papel do escritor brasileiro hoje em dia?
- O de falar o menos possível.»


Entrevista com Clarice Lispector, Tv Cultura, 1977.

237. Selvagens II

Sem querer eternizar a questão dos selvagens.

Lucky Luke e o Caçador de Prémios, Morris & Goscinny, 1972.

17 de fevereiro de 2008

236. Kosovo

República do Kosovo:
População: 2 milhões (margem norte de Lisboa)
Superfície: 11 mil km2 (Estremadura)
PIB: 2 mil milhões de euros (distrito de Évora)
Independência: 17.II.2008 (hoje)

235. Estações

234. Mensagem de tarde de chuva

Preciso aprender a ser só

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Ah o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Paulo Sérgio Valle.

16 de fevereiro de 2008

233. Rossio

Reabriu o túnel do Ressio.

232. Bacalhau

Há coisas que não podem deixar de ser referidas: a câmara baixa do parlamento do estado de Massachusetts tem, desde o século XVIII, um bacalhau de madeira pendurado no tecto. É o chamado Bacalhau Sagrado de Massachusetts.

231. Chrysler

230. Lisboa

Lisboa vimos crescer
em povos, e em grandeza,
e muito se enobrecer
em edifícios, riqueza,
em armas e em poder.
Porto e trato não há tal,
a terra não tem igual,
nas frutas, nos mantimentos,
governo, bons regimentos
lhe falece e não al.

Garcia de Resende, Miscelânea

13 de fevereiro de 2008

229. Big mouth

228. Cebola II

«Foram tempos loucos de dança. Nós, os vencidos, estávamos sedentos pela música libertadora, com a duração de um blues, dos vencedores transatlânticos: «Don't fence me in...».
Tratava-se de festejar a sobrevivência e de esquecer os respectivos acasos encenados pela guerra. Aquilo que tinha sido vergonhoso ou terrível e que espreitava por trás das costas não vinha à baila. O passado e o terreno montanhoso que surgiu das valas comuns era aplanado na superfície de dança de sábado para domingo.»

Descascando a Cebola, Günter Grass, 2006

5 de fevereiro de 2008

227. Castor

Sim, mas fazer uma casa no rio não é uma coisa simples.

226. Cuba

No dia 20 de Janeiro de 2008 realizaram-se eleições em Cuba: o Partido Comunista obteve mais uma gloriosa vitória com a eleição de 614 deputados para a Assembleia Nacional do Poder Popular, com 614 deputados. A próxima festa da democracia é em 2013.

225. Botões

A tecnologia é uma coisa complexa. Junto um pequeno exemplo. Eu próprio passo a vida a enganar-me entre os botões de «load», «ready» e «start». Normalmente fico-me por um «reverse» + «200» + «unload». É fácil e concreto. É seguro. Não me arrisco num disparatado «Power»+ «800» + «Start». Talvez se assumir o quinto café diário com ginseng possa um dia chegar a um «forward» + «200» + «load».

4 de fevereiro de 2008

224. Cebola

«Aliás, a sequência cronológica da minha história aperta-me como um espartilho. Ah, se eu pudesse remar agora para trás e aterrar numa das praias do Báltico, onde em criança moldava castelos com areia molhada... ah, seu eu me pudesse sentar uma vez mais debaixo da janela do sótão e pudesse ler, perdido de mim, como nunca mais depois disso... ou voltar a estar acocorado debaixo de uma lona de tenda com o meu camarada Joseph e lançar dados pelo futuro, naquele tempo, em que parecia estar ainda fresco como o orvalho e como que acabado de nascer...»

Descascando a Cebola, Günter Grass, 2006

2 de fevereiro de 2008

1 de fevereiro de 2008

222. Aniversário

Ontem isto fez um ano.

221. A esquerda moderna e os selvagens

Rui Tavares, Público de 28.I.2008:

«A anexação da Papua Ocidental foi levada na sua presidência até morrer um sexto da população total e praticamente ser dizimada a população selvagem

É engraçado ver o politicamente correcto de esquerda utilizar o vocabulário da extrema direita do século XIX. O que aconteceu ao «nativo», ao «indígena», ao «autóctone», ao «aborígene»? Ou mesmo ao «pagão» ou «bárbaro». «Selvagem» pelo menos é o mesmo que «silvestre» ou «natural».

20 de janeiro de 2008

220. Garota Rock Inglês

Ouvido no serviço público de rádio.

Garota Rock Inglês

Garota Rock Inglês
Não maltrate dessa vez
O meu coração que só fala português
Com seu jeito esnobe que me lembra um burguês
Eu não leio Byron, nem escuto Coldplay

Garota Rock Inglês
Eu não combino com você
Eu canto punk rock
E me visto de xadrez
Não tenho paciência para o seu chá das três
Eu sei que na Inglaterra o narigudo é o Irlandês

Minha garota rock inglês

O meu negócio é que eu só penso em você
Batata frita fica murcha sem te ver
When I walk, I walk to you
When I dream, I dream about you

one, two, three, four...

Por: Lucy and the Popsonics

8 de janeiro de 2008

219. Planeamento

Lido na rede: «O mais assustador é que exames de necropsia nos corpos dos 32 terroristas revelaram que todos estavam sob efeito de heroína.» in www.bafafa.com.br.

218. Ruas e avenidas

Uma avenida é uma rua comprida ou uma rua larga? As ruas compridas podem ainda ser ruas, como a Rua de São Bento. Mas as avenidas nunca podem ser estreitas.

As avenidas têm idealmente árvores. Mas podem não ter, tal como as ruas podem ter.

Avenida < Avenue < Avenu < Avenir < Advenire < Ad venire (para vir).

Um dia alguém viu uma rua larga e disse que era só para vir.

Ouvido na repartição: «Esse é que aquele primo do Penteado?».

3 de janeiro de 2008

217. Outros tempos

Antigamente era assim.

216. Lugar comum do tempo: o Inverno

A tempestade assolou o país de norte a sul.
A cidade do Porto acordou coberta por um manto branco.
O vento arrancou 60 árvores e derrubou uma catenária.
O Instituto de Meteorologia prevê uma melhoria do estado do tempo.
Períodos de chuva, por vezes forte, passando gradualmente a regime de aguaceiros que serão de neve nas terras altas.
Acentuado arrefecimento nocturno com formação de geada nos locais abrigados.
Chuva forte a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Prevê-se vento forte a muito forte, com rajadas, a sul do Cabo Carvoeiro.

1 de janeiro de 2008

215. O acontecimento do ano

Pública, 30 de Dezembro de 2007.

214. Chuva

Isn't This a Lovely Day (To Be Caught In the Rain)?

The weather is frightening.
The thunder and lightning
Seem to be having their way.
But as far as I'm concerned, it's a lovely day.
The turn in the weather
Will keep us together
So I can honestly say,
That as far as I'm concerned, it's a lovely day...
And everything's okay.

Isn't this a lovely day to be caught in the rain.
You were going on your way, now you've got to remain.

Just as you were going, leaving me all at sea,
The clouds broke, they broke and oh what a break for me.

I can see the sun up high, though we're caught in a storm.
I can see where you and I could be cozy and warm.

Let the rain pitter patter
But it really doesn't matter
If the skies are gray.
Long as I can be with you, it's a lovely day.

Irving Berlin, in Top Hat (1935).

30 de dezembro de 2007

213. Mais Metro II

Abriu no dia 19 a ligação entre a Baixa/Chiado e Santa Apolónia.
Lisboa tem 133 estações (46 de metro, 13 de metro ligeiro e 74 de comboios urbanos).

29 de dezembro de 2007

212. Natal

O Natal passou. Mas a festa continua até dia 1. Recebemos os nossos presentes. Demos alguns presentes. Trocámos mensagens. Uma alegria inexplicável toma conta da população. As repartições e os serviços fecham. A neve cai. As renas resfolegam. Os bacalhaus são demolhados. E o comércio anima-se graças à pulseira pandora. Sim, vi uma parte na Sique («neste Natal vende-se muito mais do que nos outros anos», disse a comerciante, também ela bastante satisfeita) e explicaram-me o resto na repartição (é uma pulseira que se vende aos bocados). E está a conquistar o imaginário feminino. O que é simpático. Mas voltando à culinária: mais cedo ou mais tarde todos aprendemos a gostar de fritos de Natal.

211. Mais metro

Abriu no dia 15 de Dezembro o troço entre a Cova da Piedade e a Universidade. São 4km e 6 estações, algumas com nomes muito interessantes: Ramalha, Pragal, Boa Esperança, Fomega, Monte da Caparica e Universidade.

210. Telegramas atrasados

«LISBON, Nov. 26 Portugal's military leaders today virtually crushed a military rebellion against the Government. The death toll in the shortlived revolt, so far as could be determined, was three: two commandos and one military policeman during a 10-minute exchange of firing».

New York Times, 27 de Novembro de 1975.

21 de dezembro de 2007

209. Liverpool e a Birmânia

Perante o dilema moral que me foi colocado: «Preferes um restaurante de comida boa e empregados simpáticos ou um restaurante de comida muito boa e empregados antipáticos?» respondi a primeira opção.
E para além disso, pensando bem, a minha prática diária permite verificar que prefiro um café imundo com empregados medianamente simpáticos a um restaurante de comida boazinha mas empregados sisudos. Hoje em dia é difícil encontrar pessoas simpáticas. Isso explica porque o melhor café que encontro no trajecto entre a minha casa e o trabalho é já fora do trajecto. Não é bem um café. É mais uma tasca abjecta na Rua Cidade de Liverpool. No entanto, o empregado tem sempre os mais pertinentes comentários sobre a actualidade política birmanesa («Atão! S'eu fosse monge bedista e me tirassem o açafrão também não ficava calado»).

20 de dezembro de 2007

208. Bom povo

T-shirts Bom-Povo.

As minhas favoritas:

«Ainda agora limpei este chão.»
«Eles ontem deram chuva.»
«Agasalha-te porque à noite sempre arrefece.»

As t-shirts bom-povo que ainda estão por fazer:
«Eu sou uma pessoa que sou assim.»
«É que agora já estou de pijama.»
«Fui de férias com um casal amigo.»

207. Mapa

A Europa em massapão.

30 de novembro de 2007

206. João Carlos

Já entendi tudo sobre o «porque não te calas?» do João Carlos ao Hugo Chávez. Afinal isto explica-se porque o rei da Espanha é um fã incondicional do Alejandro Sanz:

«Concerto: Chávez manda calar Sanz»
Público, 11 de Outubro de 2007.

E vem tudo mais de trás:

«Do seu presidente [da Venezuela] não gosto.»
Alejandro Sanz, 2004.

No fim tem tudo uma explicação lógica.

205. Russos

Nos anos 80.

25 de novembro de 2007

204. Soares

Imprensa do dia: Soares é fixe. Soares gosta dos pobrezinhos. O Governo é mau. O Terceiro Mundo é bom. A América é má. É bom não ter memória.

203. Esqui

Não sei onde fui buscar isto. Mas acho que vale muito a pena.

18 de novembro de 2007

202. Férias

A vantagem de tirar férias no Outono é poder rir de quem as tirou no Verão. A desvantagem de tirar férias no Verão é que só podemos rir de quem tira férias no Outono durante 3 meses. A desvantagem de rir é que podemos vir a passar o resto da vida no Inferno. A vantagem de passar o resto da vida no Inferno é que podemos rir para sempre de quem tirou férias no Outono.

16 de novembro de 2007

201. Rodinhas

Com a Chaladinha pela Alameda da Memória abaixo:

200. Doze anos

Eu também.

199. Sobrenatural

Lee Judge

198. Trabalhador

Que bom estar de férias:

«Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar
Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã
Patrão reclama e manda embora quem atrasar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Dentista, frentista, polícia, bombeiro
Trabalhador brasileiro
Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador
Trabalhador

E sem dinheiro vai dar um jeito
Vai pro serviço
É compromisso, vai ter problema se ele faltar
Salário é pouco, não dá pra nada
Desempregado também não dá
E desse jeito a vida segue sem melhorar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalhador brasileiro
Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador.»

Seu Jorge.

197. Escalpes

Ainda a série dos melhores escalpes: Cherie Blair.

8 de novembro de 2007

196. Roma

No início sabe-se que:

Em Roma, faz como os Romanos.
Quem tem boca, vai a Roma.
Roma e Pavia não se fizeram num dia.
Todos os caminhos vão dar a Roma.

A seguir lê-se que é «a mais prodigiosa cidade do universo» (com Lutécia).

Mais tarde, ensinam-nos que Roma é o berço de uma civilização avançada e milenar que ainda hoje influencia as nossas vidas.

Um dia visita-se e fascinamo-nos com a arquitectura, os monumentos, a arte, os gelados.

No fim, resta apenas o caos, a sujidade, os sacos pretos com lixo, o risco da própria vida, as pedras empilhadas e a pasta crua.